quarta-feira, 7 de março de 2007

A OBESIDADE, DOENÇA DO SÉCULO!


O pesquisador americano Barry Popkin, da Universidade da Carolina do Norte, nos E.U.A, afirmou que o número de obesos já ultrapassou o número de subnutridos no mundo. Num seminário da Associação Internacional dos Economistas Agrários na Austrália, disse que “o número de pessoas acima do peso já passa de um bilião, enquanto os subnutridos são cerca de 800 milhões”.

Popkin sugere mesmo a criação dum imposto sobre calorias para estimular hábitos alimentares mais saudáveis. Boa idéia! Devia-se penalizar os que comem demais neste mundo onde tanta gente morre de fome enquanto milhões morrem de ‘enfarte’.

A verdade é que a Obesidade afecta já centenas de milhões de pessoas no Mundo inteiro, mais do que os da desnutrição, sendo a pandemia do século XXI, como já é considerada por muitos especialistas no assunto. A situação é dramática e a Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta para este flagelo silencioso que mata anualmente mais gente do que as guerras fratricidas e catástrofes dos últimos tempos.

A situação em Portugal é mais que preocupante porque mais de metade dos portugueses (52,4%) sofre de excesso de peso no caminho da Obesidade, sendo já “medalha de ouro” na Europa, perdendo apenas para os E.U.A. Num estudo efectuado recentemente à população portuguesa, concluiu-se que por cada 100 adultos 40 têm excesso de peso e 14 são obesos, e, nas crianças, em cada duas uma tem excesso de peso numa obesidade precoce que começa cada vez mais cedo. O responsável pelos estudos aponta como causa deste “flagelo silencioso” os maus hábitos alimentares que degeneraram nas últimas décadas na vida dos portugueses, contrariamente à «Dieta Mediterrânica» que caracterizava a gastronomia da maior parte da população, juntando-se a isto a falta de exercício físico.

Destarte, come-se demasiadas carnes vermelhas ou outras, demasiado sal, doces e gorduras, bebidas açucaradas, etc., sendo as crianças particularmente consumidoras de alimentos altamente calóricos e refinados como cereais do tipo "néstum com mel" ou "pepitas c/chocolate" entre outras coisas carregadas de sal e açucar durante o dia todo que as faz aumentar de peso e sofrer também de hipertensão.

Os alertas são feitos com particular insistência para que se altere os hábitos alimentares dos portugueses que estão sofrendo cada vez mais de doenças cardiovasculares, de cancer, diabetes, etc., mas a verdade é que não há interesse em alterar a situação porque os interesses económicos acabam sempre por estar acima da saúde e qualidade de vida da população.

Entretanto muita gente aprecia a “fast-food”, e as Lojas Macdonald’s se enchem de jovens e adultos apreciadores da chamada “comida de plástico” que passou a fazer parte dos hábitos diários dos cidadãos desatentos à informação que já existe no sentido de alertar para os riscos de saúde a curto ou médio prazo, mas infelizmente nada é feito oficialmente, porquanto nenhuma decisão é tomada pelos governos para evitar a calamitosa situação.

As pessoas vão adoecendo porque comem e bebem mal, inclusive se promovem festas gastronómicas regionais onde as carnes de porco, os presuntos, os enchidos, as alheiras, queijos gordos, doçarias regionais e conventuais, etc., são levadas em conta de “comida tradicional” que contribui para agravar o flagelo da Obesidade em Portugal.

E assim vai a vida e saúde da nossa população...

Pausa para reflexão!
Rui Palmela
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