terça-feira, 25 de novembro de 2008

ENTREVISTA COM URBANO TAVARES RODRIGUES


Uma entrevista feita ao conhecido escritor Urbano Tavares Rodrigues, por uma revista brasileira que escolheu o tema sobre a Crise Financeira Internacional, reflecte o pensamento de um homem dos mais prestigiados do século XX nascido em Portugal. Segundo ele, os trabalhadores vão pagar a factura da crise que se atravessa e os movimentos populares, principalmente nos países da União Europeia e nos Estados Unidos da América, tendem a ganhar força.

"A única alternativa para o capitalismo senil, que ameaça conduzir a humanidade ao abismo, é o Socialismo", afirma o escritor e jornalista que se confessa ainda comunista, falando da grave crise que se atravessa desencadeada a partir do "Império estadunidense que já provoca efeitos perversos em todo o mundo".

De resto, "Esta crise é estrutural, e não cíclica como as anteriores. Do sistema financeiro, alastrou para a economia real, e dos Estados Unidos, passou à Europa e à Ásia Oriental... ela tende a agravar-se muito e o seu desfecho é por ora imprevisível", diz o escritor com uma certeza de que: "o neoliberalismo, glorificado como a ideologia definitiva que assinalaria “o fim da História”, fracassou. Hayek [Friedrich August von Hayek] é enterrado e Keynes [John Maynard Keynes] ressuscita".

Mais conclui Urbano, na tal entrevista, dizendo: "as medidas tomadas pelos governos do G-8, transformados em bombeiros do capital, são apenas paliativos. A recuperação das bolsas e do dólar geram a ilusão de que tudo vai voltar rapidamente à normalidade, entendida esta como um reflorescimento do capitalismo sob um novo figurino. Tal convicção é enganadora".

"A economia real nos EUA, no Japão e na União Européia vai continuar a afundar-se em proporções no momento imprevisíveis. Os despedimentos maciços em dezenas de gigantescas transnacionais, os apelos angustiados dos grandes da indústria automóvel e aeronáutica à ajuda estatal e o encerramento de milhares de empresas ligadas à construção e ao comércio funcionam como espelho da gravidade e complexidade de uma crise de muito longa duração".

"A situação é dilemática porque todas as saídas são, na aparência, más. As tentativas orientadas para a humanização do capitalismo (como é o caso de governos como o Lula, no Brasil; os Kirchner, na Argentina; Tabaré, no Uruguai) são perversas, por enganarem o povo com a cumplicidade de forças e partidos progressistas. Vão fracassar. Grandes sofrimentos – essa é outra certeza – esperam a humanidade no futuro próximo. Sofrimentos que serão diferentes de continente para continente, de país para país, como diferentes serão as características da luta dos povos contra o sistema que continuará a impor-lhes a sua dominação".

"A crise coloca os povos por ela atingidos, nomeadamente na Europa Ocidental, perante uma situação dilemática. A relação de forças, da Suécia à Itália, de Portugal à Grécia, não abre a possibilidade de que a crise actual desemboque em rupturas revolucionárias. Mas, simultaneamente, a transformação profunda das sociedades da União Européia, moldadas e oprimidas pelo capitalismo, não é possível pela via institucional, dita pacífica".

"A burguesia nunca entrega o poder sem uma confrontação final com as forças do progresso. Sejamos realistas. No caso português, fora do contexto de uma crise de proporções continentais, os partidos que representam o capital continuarão a vencer todas as eleições. A alternância no governo do PS e do PSD ilustra bem o controle que a classe dominante exerce sobre os mecanismos eleitorais da impropriamente chamada democracia representativa, que na prática funciona como ditadura da burguesia com máscara democrática".

"A crise do sistema financeiro mundial adquiriu as proporções de uma crise de civilização que atinge toda a humanidade. O seu desfecho é por ora imprevisível. A única certeza é a de que milhares de milhões de pessoas vão pagar a fatura da falência do capitalismo neoliberal e da ideologia a ele subjacente, enquanto os responsáveis pela crise pouco ou em nada serão afetados, no imediato, pelo naufrágio da monstruosa engrenagem por eles montada".

"O sistema mediático apresenta uma frente única na difusão da mentira, nas explicações falsas da crise e nos remédios propostos para resolvê-la, todos orientados para a preservação do capitalismo. No discurso de sociólogos, economistas, historiadores, ministros e parlamentares chamados à televisão para esclarecer a “massa ignorante” da população, o povo não aparece como personagem. Está ausente. Os porta-vozes e epígonos caseiros do grande capital, cúmplices do caos financeiro e social que alastra pelo mundo, desprezam os trabalhadores. O panorama social da crise não é iluminado pela mídia, porque isso seria perigoso para os senhores da finanças".

Por fim, Urbano Tavares Rodrigues diz ainda sobre a eleição de Barack Obama o seguinte:

"É positivo que o povo estadunidense tenha optado por Obama, um presidente negro, com um discurso muito diferente do de seu adversário republicano. Mas não participo da euforia gerada em nível mundial pela vitória de Barack Obama. É um grande orador e um político hábil e inteligente. Mas aparece-me também como o produto de uma gigantesca e milionária campanha de marketing eleitoral. Não esqueçamos que Obama foi o candidato das Finança, dos grandes grupos transnacionais. As suas primeiras iniciativas não justificam o entusiasmo que por aí vai. Para chefe de gabinete na Casa Branca, designou já um falcão, sionista, ex-voluntário na guerra do Golfo, um belicista inflamado".

"Obama afirma pretender “ganhar” a guerra do Afeganistão, defende uma política agressiva contra o Irão, afirma que manterá o bloqueio a Cuba. O vice Joe Binden antecipou uma evidência ao afirmar que as primeiras medidas do futuro presidente serão “muito impopulares”. Alguns dos assessores são republicanos de direita e clintonianos conservadores. A designação de Madeleine Albright como sua representante na Conferência dos 20 (G-20) é inquietante".

"Temo que Obama seja uma grande decepção para a humanidade progressista"... conclui o escritor.

Esperemos que não, essa é a última esperança que o mundo aguarda para uma mudança ou melhor ordem mundial para que haja uma Nova Era Universal. Muitas coisas terão de acabar e o esforço terá de ser feito por todos os países sem excepção, se queremos ainda algum futuro para esta Civilização. Isto sou eu que penso e digo!

Pausa para reflexão!

Rui Palmela

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

QUAL EDUCAÇÃO EM QUE VIVEMOS?


Por um cidadão do país irmão, de nome Acid:

"Na semana passada estava jantando, a TV do estabelecimento estava ligada e acabei assistindo a Malhação e a novela das 6. O que mais me impressionou foi a actuação afetada dos actores (todos eles!), que mais parecia que estavam entupidos de cocaína até o tampo, todos agitados, com movimentos exagerados e falando alto. Pela homogeneidade das actuações (não importando se era actor consagrado ou novato) cheguei à conclusão de que se trata de algo planejado, estudado, para atrair a atenção de um certo público, de uma certa faixa etária.

Nossos jovens (e não tão jovens assim) já não conseguem fixar a atenção em algo "normal" (boring) e precisam cada vez de mais e mais estímulo, assim como precisam de música cada vez mais alta e barulhenta para "agitar" nas festas, ou de outros estimulantes que não o álcool ou mesmo os hormônios sexuais, tendo que apelar para drogas de todo tipo. Acho que para muitos eu pareço um velho falando, e talvez esteja me sentindo velho, mesmo.

Valores como honra, lealdade e decência, que ainda eram ensinados na minha geração, já foram para o brejo. Revendo os desenhos da minha infância encontro dezenas de valores morais e olha que cresci na saudosa e politicamente incorreta década de 80, onde "Os Trapalhões" faziam piada com negros e nordestinos e "TV Pirata" consagrava Tonhão e Zeca Bordoada.

Mas o triste mesmo é perceber que a coisa vai ficar cada vez pior. E nem é coisa de velho ranzinza que tem lembranças distorcidas do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça. É um facto constatado por qualquer um que a educação brasileira (diria até mundial) vai de mal a pior.

Minha avó estudou em escola pública, e teve uma excelente formação. Aprendia francês, latim, piano, era incentivada à poesia, às redacções, bordado, enfim, ela teve a preparação de um ser humano integral. Minha mãe já não teve acesso a uma boa escola pública fundamental, mas beneficiou-se de uma excelente formação técnica no nível superior.

Já eu, que estudei a maior parte da vida em escola particular, tive um ensino que foi uma piada na escola pública. E a faculdade é um desmantelo só. Ou seja, através de gerações, ficou evidente o descaso do Estado para com o ensino, que é uma das coisas mais importantes garantidas pela Constituição brasileira. Constituição esta que é cada vez menos mencionada, pois não é interessante que o povo saiba que tem direitos, acabaram com aulas de Educação Moral e Cívica... qualquer coisa que possa trazer uma luz de consciência e questionamento a esse mundo de trevas em que nós vivemos”...


Faço minhas as suas palavras, caro Acid, pois aqui em Portugal a Educação também não é a melhor, a começar pela própria Ministra que tem pretendido apenas apresentar números à Comunidade Europeia com alunos ‘burros’ que passaram a ter bom aproveitamento. Tudo em nome de politicas economicistas em que ela passou a prejudicar os próprios professores como bodes expiatórios dum sistema que está mal há muito em Portugal, agravando-se ainda mais nos últimos meses pela sua teimosia de aplicar um modelo de avaliação que os docentes não aceitam e ela nunca quis lhes dar razão. Agora já vai reconhecendo seus erros mas continua fazendo um "braço de ferro" com os sindicatos porque lhe falta estaleca ou educação democrática para resolver a situação.

Pausa para reflexão!

Rui Palmela

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

SUBSÍDIO DESEMPREGO É DEMAIS?


Vitor Constâncio, o ainda Governador do Banco de Portugal depois do 'buraco' de 700 milhões de euros no Banco Português de Negócios (agora nacionalizado por causa disso), entre outras coisas onde se tem revelado incompetente nas suas atribuições e cuja demissão é já pedida pela Oposição, aparece agora para falar do Subsídio de Desemprego dizendo que é muito ‘generoso’ pela sua duração e quiçá demasiado elevado para qualquer pessoa que está sem trabalho num país onde se perdeu poder de compra nos últimos anos e milhares de familias passam mal recorrendo ao Banco Alimentar porque já não conseguem fazer face às despesas normais e pagar o crédito à habitação.

Devia ter vergonha, este senhor Vitor Constâncio, que é sempre contra o aumento de salários e tem o seu ordenado faraónico ganhando mais do que o Presidente da Reserva Federal dos EUA (William Pool), pois jamais saberá decerto o que é estar no Desemprego e receber um mísero subsídio que na maior parte dos casos nem dá para alimentar uma familia, enquanto o senhor Governador recebe mais mensalmente do que centenas de trabalhadores juntos. Não é de admirar que queira continuar agarrado ao cargo e não se demita se não for o governo a fazê-lo!

Penso que o senhor Victor Constâncio deveria era preocupar-se mais com os ordenados chorudos de governantes e deputados, além das altas reformas que muitos recebem quando são aposentados. Isso sim, pesa no Orçamento do Estado.

É vergonhosa a sua afirmação condenando o subsídio de Desemprego pela sua durabilidade, dando a entender que os trabalhdores que dele beneficiam se acomodam e não procuram trabalho o mais rapidamente possivel. Porém, "O problema do desemprego longo em Portugal tem outras implicações e precisa de outra análise», afirma Carvalho da Silva da CGTP, concluindo que «há milhares de pessoas que saíram das estatísticas o que indicia muito provavelmente que desistiram de procurar emprego, porque não encontraram alternativas. O problema é do modelo de desenvolvimento da sociedade, de um défice de formação e qualificação de uma geração mais velha», conclui o lider sindical.

A verdade é que o Ministro do Trabalho e Solidariedade Social (Vieira da Silva) já veio a público tranquilizar as pessoas dizendo que nada será modificado e se manterá tudo como está. De resto, a perspectiva de que o ano 2009 vá ser ainda mais dificil do que 2008, devido à crise internacional com o aumento do Desemprego por todo o lado (e Portugal não é excepção), se justificaria sim que o governo fosse mais generoso e aumentasse o subsídio para os trabalhadores desempregados bem como a sua duração.

Pausa para reflexão!

Rui Palmela

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

DESABAFO DE UMA PROFESSORA

REPASSANDO...

Para a população em geral, pais em particular

Vamos ver se nos entendemos... E se nos entendem!!

Se há algo que classifica a classe docente é a sua heterogeneidade. São cerca de 140/150 000 desde o pré-escolar ao Ensino Secundário, em todos os grupos disciplinares (das ciências às letras, passando pelas artes e tecnologias...), de várias gerações, opções ideológicas e partidárias e posturas de vida. Há os formados por universidades, pelos antigos magistérios, pelos politécnicos. Em princípio, actualmente, todos com formação pedagógica. Como todas as profissões há os que estão nela por vocação, outros por opção e outros porque calhou... Haverá os excelentes, os bons e os menos bons...

Com tanta diversidade não poderão ser, com certeza, todos "burros" ou ingénuos (que se deixam manipular facilmente), preguiçosos (que não querem é trabalhar) nem inconsequentes (que não querem ser avaliados de forma nenhuma pelo trabalho que fazem).

Os professores têm mantido de pé o Sistema Educativo Nacional todos estes anos. Para além de todo o trabalho docente quotidiano, têm levado a cabo iniciativas, projectos inovadores, trabalhosos, têm movimentado comunidades inteiras em torno de vários propósitos. Têm uma capacidade de adaptação ímpar, que lhes permite mudar de ambiente físico e humano (as escolas/agrupamentos) todos os anos, adaptar-se às mais difícies condições (Condições das escolas, viagens longas, afastamento das famílias...), dar muito do seu tempo em reuniões intermináveis, em preparação de material e/ou aulas, correcções, avaliações, etc. e tudo têm aguentado, com mais ou menos bom humor, mas sempre com motivação, vontade de fazer mais e melhor. Claro que também há dos outros, os que fazem o mínimo e que muitas vezes têm permanências fugazes no sistema. Mas não foi com esses, com as histórias desses que se chegou até aqui!!

Mas então, porque é que agora há tanta unidade na classe?? Porque é que 120 000 se dão ao trabalho de gastarem um sábado para virem mostrar a sua revolta? Porque é que estão todos desmotivados, porque é que os que podem, estão a sair do sistema?

Não é verdade que os professores não querem o BEM do ensino, a melhoria da sua qualidade. Muito pelo contrário. Pode-se dizer que quem se dá ao "trabalho de contestar" geralmente são os que são mais construtivos, mais empenhados, enfim os mais preocupados em melhorar o Sistema e a qualidade do Ensino. Por isso é necessário desmontar alguns argumentos:

Os docentes não querem ser avaliados!!! NÃO É VERDADE!!!
Se calhar haveria alguns docentes que preferiam não o ser, mas serão uma minoria residual. Para além do argumento de que, por estarem em contacto com o público, são avaliados todos os dias, a maior parte dos BONS Professores quer ser avaliado, quer ver o seu trabalho reconhecido. Mas quer uma valiação justa, que seja um complemento natural ao desenvolvimento da sua função principal - a educação e ensino - e não que se tranforme na principal função da escola e dos professores (avaliarem-se uns aos outros).
Os docentes querem uma avaliação que de facto reconheça o trabalho de quem o faz bem, mas cuja função principal não seja fazer distinções absurdas ou criar rivalidades, mas melhorar as práticas de todos, resultando numa efectiva melhoria do ensino praticado (e não só do que fica registado!!!).

O actual modelo de avaliação é o único que garante a excelência e promove a melhoria da actuação dos docentes!!! NÃO É VERDADE!!!
O actual modelo promove a não partilha entre os docentes, promove o facilitismo (porque a melhoria dos resultados escolares vai contar), promove o mau ambiente entre colegas (porque o colega do lado é o avaliador ou é aquele que pode roubar a oportunidade de ter o excelente!!!), promove o desvio de atenções dos problemas do ensino e dos alunos. Promove o acumular de papéis e registos, burocracias, acabando por promover, não os melhores docentes, não a prática pedagógica, mas os melhores organizadores de dossiers, os melhores burocratas.... Não respeita a diversidade, nomeadamente entre os diversos níveis de ensino, promove um olhar meramente "quantitativo" dos resultados dos alunos, não valorizando a avalição qualitativa e os progressos individuais, particularmente importantes na educação pré-escolar e Educação Especial. Sabem que os professores avaliadores poderão ter que faltar às suas aulas - ficando eventualmente os professores subsitutos - para observarem as aulas dos outros colegas??
Também não é verdade que as hipóteses são "ou este ou nenhum", nem que ninguém apresentou outras propostas... Jás as vi da parte dos sindicatos, em blogs de professores com formação específica na área, até em jornais....


Os docentes não querem cumprir o seu horário, não querem estar na escola!!! NÃO É VERDADE!!!
O horário dos professores tem uma componente lectiva (as aulas) e outra não lectiva. Em alguns grupos, com o avançar da carreira, a componente lectiva vai diminuindo, mas, em consequência a não lectiva aumenta, porque o horário dos professores é sempre de 35 horas. Os professores não se têm queixado por os fazerem cumprir o horário!!! As denuncias referem-se a que actualmente, com reuniões atrás de reuniões, discussões,de grelhas etc. têm-se cumprido horários de 50 ou mais horas semanais!!! E estas horas não têm sido em proveito do trabalho com os alunos, têm sido todas em torno da avaliação dos Professores!!! A maior parte dos professores já passava muito tempo na escola. Mas também é necessário ver que parte do trabalho destes (da componente não lectiva) não tem que ser feito necessariamente na escola, e que até esta nem sempre tem condições para tal. Preparar material didáctico, planificar, corrigir e avaliar são actividades docentes que se podem fazer noutos locais. Mas acresce a tudo isso, as reuniões de docentes, de pais, etc. A preparação de projectos de equipas diversos, os trabalhos com a comunidade, os atendimentos, etc. E para fazere cumprir quem não cumpre(que os há, em todas as profissões...), talvez seja mais eficaz exigir a execução de determinadas tarefas (nomeadamente a quem tem horários lectivos reduzidos) do que exigir o estar na escola, só por estar!!!

Os docentes não sabem o que querem e são manipulados pelos partidos e sindicatos!!! NÃO É VERDADE!!!
Isto é altamente ofensivo para os docentes!!! Há docentes que no final de uma carreira nunca tinham feito uma greve ou participado numa manifestação e que foi com muio sacrifício que participaram agora. Há docentes de todos os quadrantes políticos (muitos do partido do governo), sindicalizados ou não. Há muitos docentes que se manifestam precisamente porque estão sentir que estão a ser levados - pelas leis e regulamentações emanandas pelo ministério) - para um caminho com que não concordam - o da burocratização do ensino. Os docentes são quem mais sabe, no âmbito teórico e prático, de ensino, das escolas, do pulsar do sistema. São quem está presente para sentir o clima que se vive, o que se está a passar nas escolas. São quem está a sentir que não consegue cumprir a sua função essencial - educar/ensinar, preparar e avaliar esse processo - porque está atulhado em papéis, grelhas, reuniões e discussões que nada trazem de melhoria para o sistema ou para a melhoria da sua prática pedagógica.


Os docentes estão contra o princípio das aulas de substituição!!! NÃO É VERDADE!!!
Os docentes consideram ser útil que haja professores para substituirem os que faltam, pois todas as pessoas podem ter que faltar (há doenças, consultas, assuntos familiares...). è óptimo que haja essa possibilidade e que oa alunos não percam aulas... Só que o sistema não coloca professores suficientes - cada vez o rácio prof/alunos e maior - para que tal aconteça com normalidade, para que haja professores das várias áreas para fazer essas substituições com rigor científico. E coloca docentes para prestar apoios educativos a determinadas crianças com dificuldades, que vão depois fazer substituições e por isso passam o ano sem dar apoio a essas crianças... E mascaram as estatísticas do númeor de aulas dadas efectivamente, sem fazer distinção das que foram dadas pelo professor titular da disciplina das que foram dadas pelos professores substitutos. Isto é garantir a excelência???

É VERDADE que os docentes estão contra a divisão da carreira em duas categorias (titulares e professores), pois isto não traz mais valia nenhuma para o ensino, é injusta, vem criar mais divisões na classe, levando, mais uma vez a uma competitividade negativa entre colegas, afectando inevitavelmente o clima de escola, que é essencial para o desenrolar de um bom ano lectivo e normal processo educativo. Quem sabe dizer então qual a influência positiva para o ensino?

Por favor, não se deixem vocês, Encarregados de Educação e comunidade em geral, manipular pelos argumentos obviamente demagógicos da parte do Ministério. Procurem saber na vossa escola quais os argumentos dos docentes, procurem saber o que se está a passar. Procurem saber junto dos vossos filhos como está a correr o ano lectivo. Esta luta não é política. Acreditem que a maior parte dos docentes quer trabalhar para a melhoria da educação em Portugal, quer ser avaliada, quer resolver os problemas das escolas e das famílias (nomeadamente o das faltas de professores), mas não a qualquer custo!!! Principalmente não a custo do clima das escolas e da qualidade educativa!!!

Lígia Nogueira

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O MAL VEM DA AMÉRICA?


A grande crise mundial, considerada já a mais grave de todas as que existiram na nossa Humanidade, começou em Wall Street (nos EUA) e se alastrou a todo o Planeta como um virus letal que afectou toda a economia financeira mundial. “A culpa é dos pobres”, disseram depois alguns responsáveis da Banca que não perderam tempo em arranjar um ‘bode expiatório’ para explicar a situação.

Do mesmo modo, o grande flagelo da SIDA eclodiu na 2ª metade do século XX em S. Francisco da Califórnia (nas Comunidades Gay,) onde foram conhecidos os primeiros casos duma doença terrivel que havia de alastrar-se pelo mundo inteiro, tendo já causado milhões de vítimas que vão aumentando no século actual. “A culpa é dos macacos”, disseram depois alguns cientistas norte-americanos para limparem talvez um pouco a imagem do seu país onde tudo começou.

Por fim, o grande Terrorismo começou também nos EUA com a queda das torres gémeas de World Trade Center (em 11 Setembro 2001), devido às politicas de George W. Bush (o pior presidente norte-americano) que provocou o ódio no mundo árabe donde surgiu uma Organização extremista conhecida por Al Qaeda liderada por um multimilionário de nome Bin Laden. O mundo nunca mais foi o mesmo pelo desejo de vingança de um homem que arranjou depois uma mentira para invadir o Iraque onde causou tanta dor e destruição, fazendo centenas de milhares de vítimas (mais do que todos os terroristas juntos do Planeta) numa guerra injustificada onde se tornou o principal responsável por tantas vidas humanas, incluindo crianças.

Em face de tudo isto, é mesmo caso para dizer que “O MAL VEM DA AMÉRICA” e o mundo corre perigo se os principais lideres mundiais (com o novo presidente eleito dos EUA que espero seja Barak Obama) não souberem unir esforços no sentido de mudar agora todo o sistema capitalista que faliu e nunca mais voltará a ser o mesmo. Todos têm de reconhecer que a Humanidade é só uma e o Mundo é a nossa morada que está sendo afectada pelo consumismo e materialismo dos que dominam com tanta ganância e ambição.

Pausa para reflexão!

Rui Palmela

terça-feira, 21 de outubro de 2008

OS PORCOS PODEM SALVAR A HUMANIDADE?

Assisti a uma peça na televisão (na RTP2), onde vi porcos a serem estudados por alguns cientistas que faziam comparações entre o animal e o ser humano, tendo os suinos muitas semelhanças com o homem em seu organismo, levando alguns estudiosos a concluirem que “os porcos podem salvar a Humanidade”, servindo não só de alimento mas de potenciais dadores de órgãos para transplante no corpo humano. No futuro seremos assim uma espécie de “humano-porcos” que actualmente já existem por ‘galvanoplastia’, ou seja pela quantidade enorme de células dos suinos a circular no organismo das pessoas que consomem tanta carne desses animais e ficam se parecendo com eles...

Acham esses investigadores, pois, que temos muitas parecenças com os bichos de 4 patas, gordos e anafados, que grunhem e comem muito, brigam e lutam uns com os outros quando estão stressados, mas no fim morrem para servir de alimento aos seres humanos que tanto os apreciam. Agora até podemos um dia ter um coração de porco, pulmão, rins, bexiga, figado ou intestinos, e quiçá o pénis e testículos que muitos humanos consomem.

É assim a degeneração total do homem do século actual que ainda não aprendeu a viver de forma sã e coerente e adoece por causa disso, pretendendo agora ser ‘salvo’ pelos porcos que terão um destino bem pior do que tinham até aqui. Ou seja, já não servem apenas para febras, presunto, torresmos e enchidos, etc., mas também para fornecerem órgãos que faltam aos humanos nas salas de operações...

Não sei se isto algum dia acontecerá na realidade, mas o facto é que estão sendo feitas experiência ou estudos nesse sentido e lamento pela humanidade que degenerou de tal forma da sua condição que sofre doenças de todo o género por causa do seu “módus vivendi” com uma errada forma de alimentação que além de ser prejudicial ao corpo é também à alma, pois por alguma razão os grandes Mestres e Profetas da Humanidade abordaram esta questão condenando holocaustos e morticínios de milhões de animais inocentes que todos os dias são sacrificados e devorados até ás entranhas pelo homem que se tornou no maior predador da Terra, desrespeitando a vida de tantos seres da Criação.

De resto, a carne proveninente dos cadáveres de animais, além de não ser saudável, influi no próprio temperamento humano e isso levou Albert Einstein a dizer que: «A maneira vegetariana de viver, por seu efeito puramente físico no temperamento humano, exerceria uma influência benéfica sobre toda a Humanidade», idéia esta corroborada por Leon Tolstoi (o grande escritor russo) que também dizia, convictamente: “Se toda a Humanidade fosse vegetariana eram impossiveis as guerras”, naturalmente.

Enfim, talvez por estas e outras razões (como a Poluição, a Economia, os problemas ambientais) tenha levado o responsável do IPCC da ONU (Dr. Rajenda Pachauri) a fazer um apelo ao não consumo de carne nos dias que correm, como única forma de melhorar as coisas neste Planeta.

Fica aqui mais esta dissertação,

Pausa para reflexão!

Rui Palmela

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A CRISE MORAL DA HUMANIDADE

Mais do que qualquer crise económica ou financeira do sistema capitalista e consumista do século actual, é a crise de valores e o afrouxamento da moral e bons costumes que se verifica e se intensifica a nível global.

No meu país, por exemplo, discute-se agora acima de qualquer outra coisa, a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, para poderem realizar o acto matrimonial normal como qualquer casal heterossexual (homem/mulher) e terem os mesmos direitos perante a lei, inclusive a adopção de crianças para constituir familia que até hoje (desde há milhares de anos) foi sempre criada de forma natural ou convencional.

Os órgãos de Comunicação Social, fazedores de opiniões, dão ênfase ao assunto e até contribuem para incendiar animosidades entre os que concordam e discordam, dando demasiado importância, espaço e abertura, que agrada ao lobbi gay e seus apoiantes (políticos e não só) todos favoráveis ao reconhecimento oficial da perversão ou impudicicia sexual, enquanto a maioria dos portugueses (segundo uma sondagem à opiniao pública) não vê com bons olhos estas e outras coisas que se vão passando em Portugal.

De resto, alguns paises do mundo (5 ou 7), dos mais de 200 que existem, já legalizaram o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo e tende a aumentar esse número por arrastamento, à medida que a Humanidade vai decaindo moral e espiritualmente, degenerando de sua verdadeira condição, arranjando para isso todo o género de justificação. Hoje tudo é possivel fazer “livre e democraticamente” contrariando princípios que antes eram considerados sagrados e deixam de o ser rapidamente porque tudo se muda facilmente.

No próprio Brasil, o governo até subsidia ou paga as intervenções cirurgicas para “mudança de sexo” dos cidadãos, atendendo à enorme pressão ou exigência de uma grande multidão homossexual que ali existe, onde tantas mulheres querem tornar-se homens e homens que querem tornar-se mulheres. Enquanto isso, persiste e cresce a pobreza e miséria social no grande paraiso tropical, onde milhares de crianças se prostituem nas ruas e são procuradas pelos machos latinos e outros estrangeiros que ali vão à procura de ‘transa’ ou perversão sexual.

São estes e outros sinais dos tempos que anunciam cada vez mais os Acontecimentos de “Juizo Final” de que falavam os profetas de antanho, tudo indicando que se concretizarão na época actual.

Pessoalmente vou observando e fazendo minha reflexões, dando também minhas próprias opiniões. É isso que tenho feito neste meu Blog onde procuro compartilhar com outros os meus próprios pensamentos e conhecimentos por um mundo melhor, onde haja um dia mais verdade e mais Amor.

Até lá, vejo com preocupação a Crise Moral da Humanidade que indicia a queda iminente desta Civilização que se afunda no meio de tantas formas de Degradação. Por fim sei que o Mundo está carecendo urgentemente duma “Cósmica Intervenção”...

Pausa para reflexão!

Rui Palmela
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