sábado, 29 de novembro de 2008

O TERRORISMO NO MUNDO ACTUAL


Desde há milénios que os homens praticam o terrorismo de vários formas, não só entre si com lutas sangrentas e actos violentos que deixam rastos de morte e destruição, como também sacrificando e martirizando milhões de animais inocentes que têm sido vítimas do pior de todos os seres da Criação.

Hoje os actos terroristas são notícia nos meios de Comunicação Social que revelam ao mundo as imagens que chocam e causam repulsa, dor e indignação, pelo modo como actuam grupos ou organizações (políticas ou religiosas) reivindicando coisas que doutro modo não conseguem chamar a atenção.

É lamentável e a todos os títulos censurável esses actos violentos (quaisquer que sejam) praticados contra a vida de pessoas e bens, cujo terrorismo não deve ser visto apenas só com um olho e condenado sim em todas as suas formas de manifestação por todos os que pensam verdadeiramente nas origens do mal e desejam bani-lo para sempre do seio desta Civilização.

Por fim, terroristas são também todos os (des)humanos que causam terror e morte na vida dos animais vítimas de tanta maldade e crueldade (consentida ou não) que pouca gente se importa ou fica indiferente apesar dos apelos constantes dos defensores de nossos irmãos inferiores, que sofrem em silêncio indescritíveis horrores, vítimas do homem que não os respeita porque não se comporta neste mundo de acordo com a sua humana e verdadeira condição. Ver abaixo alguns exemplos:

clicar nas imagens


Enquanto existir tanta maldade e crueldade no coração dos homens jamais haverá paz na Terra e haverá sempre dor e guerra até ao dia em que todos entenderão que devem amar-se e respeitar-se uns aos outros bem como a todos os seres da Criação.

Pausa para reflexão!
Rui Palmela

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O SOCIALISMO DEVE SER COMBATIDO?!!!

Vamos lá ver se entendo. Ouvi ontem uma entrevista numa conhecida Radio no meu país onde o tema em debate era sobre a crise financeira internacional e as medidas que os governos devem tomar para que não se instale o caos económico a nível mundial.

O entrevistado (de quem não fixei o nome) dizia que achava bem a intervenção dos Governos em todos os paises democráticos onde o sector privado está recorrendo à ajuda do Estado ficando este como garante da economia controlando as coisas temporariamente (não mais do que 1 ou 2 anos segundo o entrevistado) pois logo que a ‘Crise’ passe deve voltar tudo ao funcionamento normal sem a tal intervenção estatal e evitar-se assim uma tentativa de "Socialismo".

Não percebi bem este tipo de conversa (de algum pseudo-iluminado) que por um lado reconhece a grave crise do sistema capitalista a nível mundial, aplaudindo o papel dos Estados que tentam agora encontrar uma solução para evitar o caos e inspirar confiança na população, mas depois diz que assim que a crise esteja resolvida (o que duvido muito) deve voltar tudo ao normal... Ou seja, ao mesmo regabofe do sistema capitalista donde a própria crise se originou! Isto faz sentido?

E mais terminou dizendo que a intervenção do Estado no nosso país (Portugal) não deve durar mais do que o necessário para que não se caia na tentação do “Socialismo”, pois na opinião dele este deve ser combatido.

Enfim, cada ‘especialista’ tem seus próprios pontos de vista e eu vou observando os homens que se multiplicam agora em reuniões internacionais fazendo acordos politicos para arranjar uns milhões que sirvam principalmente para 'salvar' os Bancos e não propriamente as pequenas e médias empresas que estão fechando e o Desemprego aumentando, com milhares de familias em sérias dificuldades (da própria classe média) que já estão recorrendo a intituições de caridade, sendo um facto que o próprio Presidente da República (dr. Cavaco Silva) o reconhece publicamente dizendo que tem recebido inúmeras cartas ultimamente de pessoas pedindo ajuda.

No entanto, neste meu país, ouvi um dia destes o sr. 1º Ministro José Sócrates dizer que estava contente por ver os bancos recorrerem ao aval que o Estado faz para pedirem dinheiro lá fora e o aplicarem cá dentro para que tenham mais fluidez e possam assim ajudar as empresas e familias portuguesas. Mas tudo isto parece não ter passado de um discurso de “cosmética politica” que afinal não corresponde à verdade pois os bancos se retraiem cada vez mais nos empréstimos de dinheiro devido à crise e os que renegociam contratos com seus clientes, já em dificuldades, cobram juros elevadíssimos. É isto que não entendo!

Por fim, cá por mim, se o Socialismo (no verdadeiro sentido do termo) é sinónimo de maior Equidade e Justiça Social, de maior repartição da riqueza e direitos fundamentais de todos os cidadãos sem excepção, pois venha esse SOCIALISMO para Portugal e dure o tempo que fôr preciso e se faça aqui uma verdadeira Nação.

Pausa para reflexão!

Rui Palmela

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

QUE FAZER PARA MUDAR O MUNDO?


Há cada vez mais gente a falar na necessidade de mudança por uma vida melhor neste Planeta onde infelizmente o mal parece ter fixado seu império de ganâncias, ambições, egoismos e consumismos, luxos e vaidades, imoralismos e iniquidades, pervertendo os verdadeiros valores da vida que ao longo dos tempos foram transmitidos por homens cultos e verdadeiros, os chamados Mestres da Humanidade.

Hoje os poderosos da Terra começam a pressentir que esse império de Perversidade está chegando ao fim e tentam dalgum modo arranjar um sistema alternativo que não prejudique seus interesses pessoais, em vez de pensarem no bem comum e abdicarem de coisas que confiscaram para si contribuindo para agravamento das desigualdades sociais.

Não creio que haja politicos ou governantes neste Mundo que tenham pelos povos uma verdadeira vontade de servi-los com Justiça e Equidade de modo a que todos tenham uma vida melhor, e haja Paz e Amor na Humanidade. Quem domina julga e faz como pensa que está bem, e pede sempre sacrifícios aos que são mais sacrificados e nunca aos abastados e priveligiados que ficam indiferentes às dificuldades dos outros e vivem se locupletando no seu mundo fechado.

Estamos todos agora percebendo que tudo isso não é bom para ninguém e a única alternativa será mudarmos o curso das coisas e construirmos uma Sociedade melhor, com mais verdade e mais amor.

Para isso temos de mudar nossas mentalidades e comportamentos errados neste Planeta, que estão na origem do seu próprio desequilíbrio que poderá intensificar-se nos dias que correm e nem todo o dinheiro do mundo servirá para alguma coisa se nada fizermos para minorar a situação. De resto, os degelos já começaram e se aceleram de forma irreversivel, podendo aumentar o nível das águas do mar que inundarão zonas costeiras e cidades inteiras onde muita gente terá de se deslocar para qualquer lugar, aumentando mais a confusão e muitas outras coisas vão acontecer se nada for feito e pensarmos apenas na Crise Financeira Mundial que ocupa agora todos os cérebros dos homens do poder do século actual.

Por fim, seria bom que cada um de nós visse a vida de um modo diferente e corrigisse seus erros e desregramentos para evitar mais sofrimentos. Nada acontece por acaso e tudo é consequência do que temos semeado e se reflecte no tempo presente desde o passado.

Muita gente ignora que até mesmo o mal que causamos ao reino animal (e não é pouco) se reflecte na Sociedade onde vivemos, recebendo tudo na forma de guerras, doenças, sofrimentos e muitas calamidades que os orientais chamam de “ajustamentos kármicos” por dívidas acumuladas da (des)Humanidade que terá de pagar “até ao último ceitil” o reflexo de sua própria Degeneração.

Pausa para reflexão!

Rui Palmela

terça-feira, 25 de novembro de 2008

ENTREVISTA COM URBANO TAVARES RODRIGUES


Uma entrevista feita ao conhecido escritor Urbano Tavares Rodrigues, por uma revista brasileira que escolheu o tema sobre a Crise Financeira Internacional, reflecte o pensamento de um homem dos mais prestigiados do século XX nascido em Portugal. Segundo ele, os trabalhadores vão pagar a factura da crise que se atravessa e os movimentos populares, principalmente nos países da União Europeia e nos Estados Unidos da América, tendem a ganhar força.

"A única alternativa para o capitalismo senil, que ameaça conduzir a humanidade ao abismo, é o Socialismo", afirma o escritor e jornalista que se confessa ainda comunista, falando da grave crise que se atravessa desencadeada a partir do "Império estadunidense que já provoca efeitos perversos em todo o mundo".

De resto, "Esta crise é estrutural, e não cíclica como as anteriores. Do sistema financeiro, alastrou para a economia real, e dos Estados Unidos, passou à Europa e à Ásia Oriental... ela tende a agravar-se muito e o seu desfecho é por ora imprevisível", diz o escritor com uma certeza de que: "o neoliberalismo, glorificado como a ideologia definitiva que assinalaria “o fim da História”, fracassou. Hayek [Friedrich August von Hayek] é enterrado e Keynes [John Maynard Keynes] ressuscita".

Mais conclui Urbano, na tal entrevista, dizendo: "as medidas tomadas pelos governos do G-8, transformados em bombeiros do capital, são apenas paliativos. A recuperação das bolsas e do dólar geram a ilusão de que tudo vai voltar rapidamente à normalidade, entendida esta como um reflorescimento do capitalismo sob um novo figurino. Tal convicção é enganadora".

"A economia real nos EUA, no Japão e na União Européia vai continuar a afundar-se em proporções no momento imprevisíveis. Os despedimentos maciços em dezenas de gigantescas transnacionais, os apelos angustiados dos grandes da indústria automóvel e aeronáutica à ajuda estatal e o encerramento de milhares de empresas ligadas à construção e ao comércio funcionam como espelho da gravidade e complexidade de uma crise de muito longa duração".

"A situação é dilemática porque todas as saídas são, na aparência, más. As tentativas orientadas para a humanização do capitalismo (como é o caso de governos como o Lula, no Brasil; os Kirchner, na Argentina; Tabaré, no Uruguai) são perversas, por enganarem o povo com a cumplicidade de forças e partidos progressistas. Vão fracassar. Grandes sofrimentos – essa é outra certeza – esperam a humanidade no futuro próximo. Sofrimentos que serão diferentes de continente para continente, de país para país, como diferentes serão as características da luta dos povos contra o sistema que continuará a impor-lhes a sua dominação".

"A crise coloca os povos por ela atingidos, nomeadamente na Europa Ocidental, perante uma situação dilemática. A relação de forças, da Suécia à Itália, de Portugal à Grécia, não abre a possibilidade de que a crise actual desemboque em rupturas revolucionárias. Mas, simultaneamente, a transformação profunda das sociedades da União Européia, moldadas e oprimidas pelo capitalismo, não é possível pela via institucional, dita pacífica".

"A burguesia nunca entrega o poder sem uma confrontação final com as forças do progresso. Sejamos realistas. No caso português, fora do contexto de uma crise de proporções continentais, os partidos que representam o capital continuarão a vencer todas as eleições. A alternância no governo do PS e do PSD ilustra bem o controle que a classe dominante exerce sobre os mecanismos eleitorais da impropriamente chamada democracia representativa, que na prática funciona como ditadura da burguesia com máscara democrática".

"A crise do sistema financeiro mundial adquiriu as proporções de uma crise de civilização que atinge toda a humanidade. O seu desfecho é por ora imprevisível. A única certeza é a de que milhares de milhões de pessoas vão pagar a fatura da falência do capitalismo neoliberal e da ideologia a ele subjacente, enquanto os responsáveis pela crise pouco ou em nada serão afetados, no imediato, pelo naufrágio da monstruosa engrenagem por eles montada".

"O sistema mediático apresenta uma frente única na difusão da mentira, nas explicações falsas da crise e nos remédios propostos para resolvê-la, todos orientados para a preservação do capitalismo. No discurso de sociólogos, economistas, historiadores, ministros e parlamentares chamados à televisão para esclarecer a “massa ignorante” da população, o povo não aparece como personagem. Está ausente. Os porta-vozes e epígonos caseiros do grande capital, cúmplices do caos financeiro e social que alastra pelo mundo, desprezam os trabalhadores. O panorama social da crise não é iluminado pela mídia, porque isso seria perigoso para os senhores da finanças".

Por fim, Urbano Tavares Rodrigues diz ainda sobre a eleição de Barack Obama o seguinte:

"É positivo que o povo estadunidense tenha optado por Obama, um presidente negro, com um discurso muito diferente do de seu adversário republicano. Mas não participo da euforia gerada em nível mundial pela vitória de Barack Obama. É um grande orador e um político hábil e inteligente. Mas aparece-me também como o produto de uma gigantesca e milionária campanha de marketing eleitoral. Não esqueçamos que Obama foi o candidato das Finança, dos grandes grupos transnacionais. As suas primeiras iniciativas não justificam o entusiasmo que por aí vai. Para chefe de gabinete na Casa Branca, designou já um falcão, sionista, ex-voluntário na guerra do Golfo, um belicista inflamado".

"Obama afirma pretender “ganhar” a guerra do Afeganistão, defende uma política agressiva contra o Irão, afirma que manterá o bloqueio a Cuba. O vice Joe Binden antecipou uma evidência ao afirmar que as primeiras medidas do futuro presidente serão “muito impopulares”. Alguns dos assessores são republicanos de direita e clintonianos conservadores. A designação de Madeleine Albright como sua representante na Conferência dos 20 (G-20) é inquietante".

"Temo que Obama seja uma grande decepção para a humanidade progressista"... conclui o escritor.

Esperemos que não, essa é a última esperança que o mundo aguarda para uma mudança ou melhor ordem mundial para que haja uma Nova Era Universal. Muitas coisas terão de acabar e o esforço terá de ser feito por todos os países sem excepção, se queremos ainda algum futuro para esta Civilização. Isto sou eu que penso e digo!

Pausa para reflexão!

Rui Palmela

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

QUAL EDUCAÇÃO EM QUE VIVEMOS?


Por um cidadão do país irmão, de nome Acid:

"Na semana passada estava jantando, a TV do estabelecimento estava ligada e acabei assistindo a Malhação e a novela das 6. O que mais me impressionou foi a actuação afetada dos actores (todos eles!), que mais parecia que estavam entupidos de cocaína até o tampo, todos agitados, com movimentos exagerados e falando alto. Pela homogeneidade das actuações (não importando se era actor consagrado ou novato) cheguei à conclusão de que se trata de algo planejado, estudado, para atrair a atenção de um certo público, de uma certa faixa etária.

Nossos jovens (e não tão jovens assim) já não conseguem fixar a atenção em algo "normal" (boring) e precisam cada vez de mais e mais estímulo, assim como precisam de música cada vez mais alta e barulhenta para "agitar" nas festas, ou de outros estimulantes que não o álcool ou mesmo os hormônios sexuais, tendo que apelar para drogas de todo tipo. Acho que para muitos eu pareço um velho falando, e talvez esteja me sentindo velho, mesmo.

Valores como honra, lealdade e decência, que ainda eram ensinados na minha geração, já foram para o brejo. Revendo os desenhos da minha infância encontro dezenas de valores morais e olha que cresci na saudosa e politicamente incorreta década de 80, onde "Os Trapalhões" faziam piada com negros e nordestinos e "TV Pirata" consagrava Tonhão e Zeca Bordoada.

Mas o triste mesmo é perceber que a coisa vai ficar cada vez pior. E nem é coisa de velho ranzinza que tem lembranças distorcidas do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça. É um facto constatado por qualquer um que a educação brasileira (diria até mundial) vai de mal a pior.

Minha avó estudou em escola pública, e teve uma excelente formação. Aprendia francês, latim, piano, era incentivada à poesia, às redacções, bordado, enfim, ela teve a preparação de um ser humano integral. Minha mãe já não teve acesso a uma boa escola pública fundamental, mas beneficiou-se de uma excelente formação técnica no nível superior.

Já eu, que estudei a maior parte da vida em escola particular, tive um ensino que foi uma piada na escola pública. E a faculdade é um desmantelo só. Ou seja, através de gerações, ficou evidente o descaso do Estado para com o ensino, que é uma das coisas mais importantes garantidas pela Constituição brasileira. Constituição esta que é cada vez menos mencionada, pois não é interessante que o povo saiba que tem direitos, acabaram com aulas de Educação Moral e Cívica... qualquer coisa que possa trazer uma luz de consciência e questionamento a esse mundo de trevas em que nós vivemos”...


Faço minhas as suas palavras, caro Acid, pois aqui em Portugal a Educação também não é a melhor, a começar pela própria Ministra que tem pretendido apenas apresentar números à Comunidade Europeia com alunos ‘burros’ que passaram a ter bom aproveitamento. Tudo em nome de politicas economicistas em que ela passou a prejudicar os próprios professores como bodes expiatórios dum sistema que está mal há muito em Portugal, agravando-se ainda mais nos últimos meses pela sua teimosia de aplicar um modelo de avaliação que os docentes não aceitam e ela nunca quis lhes dar razão. Agora já vai reconhecendo seus erros mas continua fazendo um "braço de ferro" com os sindicatos porque lhe falta estaleca ou educação democrática para resolver a situação.

Pausa para reflexão!

Rui Palmela

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

SUBSÍDIO DESEMPREGO É DEMAIS?


Vitor Constâncio, o ainda Governador do Banco de Portugal depois do 'buraco' de 700 milhões de euros no Banco Português de Negócios (agora nacionalizado por causa disso), entre outras coisas onde se tem revelado incompetente nas suas atribuições e cuja demissão é já pedida pela Oposição, aparece agora para falar do Subsídio de Desemprego dizendo que é muito ‘generoso’ pela sua duração e quiçá demasiado elevado para qualquer pessoa que está sem trabalho num país onde se perdeu poder de compra nos últimos anos e milhares de familias passam mal recorrendo ao Banco Alimentar porque já não conseguem fazer face às despesas normais e pagar o crédito à habitação.

Devia ter vergonha, este senhor Vitor Constâncio, que é sempre contra o aumento de salários e tem o seu ordenado faraónico ganhando mais do que o Presidente da Reserva Federal dos EUA (William Pool), pois jamais saberá decerto o que é estar no Desemprego e receber um mísero subsídio que na maior parte dos casos nem dá para alimentar uma familia, enquanto o senhor Governador recebe mais mensalmente do que centenas de trabalhadores juntos. Não é de admirar que queira continuar agarrado ao cargo e não se demita se não for o governo a fazê-lo!

Penso que o senhor Victor Constâncio deveria era preocupar-se mais com os ordenados chorudos de governantes e deputados, além das altas reformas que muitos recebem quando são aposentados. Isso sim, pesa no Orçamento do Estado.

É vergonhosa a sua afirmação condenando o subsídio de Desemprego pela sua durabilidade, dando a entender que os trabalhdores que dele beneficiam se acomodam e não procuram trabalho o mais rapidamente possivel. Porém, "O problema do desemprego longo em Portugal tem outras implicações e precisa de outra análise», afirma Carvalho da Silva da CGTP, concluindo que «há milhares de pessoas que saíram das estatísticas o que indicia muito provavelmente que desistiram de procurar emprego, porque não encontraram alternativas. O problema é do modelo de desenvolvimento da sociedade, de um défice de formação e qualificação de uma geração mais velha», conclui o lider sindical.

A verdade é que o Ministro do Trabalho e Solidariedade Social (Vieira da Silva) já veio a público tranquilizar as pessoas dizendo que nada será modificado e se manterá tudo como está. De resto, a perspectiva de que o ano 2009 vá ser ainda mais dificil do que 2008, devido à crise internacional com o aumento do Desemprego por todo o lado (e Portugal não é excepção), se justificaria sim que o governo fosse mais generoso e aumentasse o subsídio para os trabalhadores desempregados bem como a sua duração.

Pausa para reflexão!

Rui Palmela

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

DESABAFO DE UMA PROFESSORA

REPASSANDO...

Para a população em geral, pais em particular

Vamos ver se nos entendemos... E se nos entendem!!

Se há algo que classifica a classe docente é a sua heterogeneidade. São cerca de 140/150 000 desde o pré-escolar ao Ensino Secundário, em todos os grupos disciplinares (das ciências às letras, passando pelas artes e tecnologias...), de várias gerações, opções ideológicas e partidárias e posturas de vida. Há os formados por universidades, pelos antigos magistérios, pelos politécnicos. Em princípio, actualmente, todos com formação pedagógica. Como todas as profissões há os que estão nela por vocação, outros por opção e outros porque calhou... Haverá os excelentes, os bons e os menos bons...

Com tanta diversidade não poderão ser, com certeza, todos "burros" ou ingénuos (que se deixam manipular facilmente), preguiçosos (que não querem é trabalhar) nem inconsequentes (que não querem ser avaliados de forma nenhuma pelo trabalho que fazem).

Os professores têm mantido de pé o Sistema Educativo Nacional todos estes anos. Para além de todo o trabalho docente quotidiano, têm levado a cabo iniciativas, projectos inovadores, trabalhosos, têm movimentado comunidades inteiras em torno de vários propósitos. Têm uma capacidade de adaptação ímpar, que lhes permite mudar de ambiente físico e humano (as escolas/agrupamentos) todos os anos, adaptar-se às mais difícies condições (Condições das escolas, viagens longas, afastamento das famílias...), dar muito do seu tempo em reuniões intermináveis, em preparação de material e/ou aulas, correcções, avaliações, etc. e tudo têm aguentado, com mais ou menos bom humor, mas sempre com motivação, vontade de fazer mais e melhor. Claro que também há dos outros, os que fazem o mínimo e que muitas vezes têm permanências fugazes no sistema. Mas não foi com esses, com as histórias desses que se chegou até aqui!!

Mas então, porque é que agora há tanta unidade na classe?? Porque é que 120 000 se dão ao trabalho de gastarem um sábado para virem mostrar a sua revolta? Porque é que estão todos desmotivados, porque é que os que podem, estão a sair do sistema?

Não é verdade que os professores não querem o BEM do ensino, a melhoria da sua qualidade. Muito pelo contrário. Pode-se dizer que quem se dá ao "trabalho de contestar" geralmente são os que são mais construtivos, mais empenhados, enfim os mais preocupados em melhorar o Sistema e a qualidade do Ensino. Por isso é necessário desmontar alguns argumentos:

Os docentes não querem ser avaliados!!! NÃO É VERDADE!!!
Se calhar haveria alguns docentes que preferiam não o ser, mas serão uma minoria residual. Para além do argumento de que, por estarem em contacto com o público, são avaliados todos os dias, a maior parte dos BONS Professores quer ser avaliado, quer ver o seu trabalho reconhecido. Mas quer uma valiação justa, que seja um complemento natural ao desenvolvimento da sua função principal - a educação e ensino - e não que se tranforme na principal função da escola e dos professores (avaliarem-se uns aos outros).
Os docentes querem uma avaliação que de facto reconheça o trabalho de quem o faz bem, mas cuja função principal não seja fazer distinções absurdas ou criar rivalidades, mas melhorar as práticas de todos, resultando numa efectiva melhoria do ensino praticado (e não só do que fica registado!!!).

O actual modelo de avaliação é o único que garante a excelência e promove a melhoria da actuação dos docentes!!! NÃO É VERDADE!!!
O actual modelo promove a não partilha entre os docentes, promove o facilitismo (porque a melhoria dos resultados escolares vai contar), promove o mau ambiente entre colegas (porque o colega do lado é o avaliador ou é aquele que pode roubar a oportunidade de ter o excelente!!!), promove o desvio de atenções dos problemas do ensino e dos alunos. Promove o acumular de papéis e registos, burocracias, acabando por promover, não os melhores docentes, não a prática pedagógica, mas os melhores organizadores de dossiers, os melhores burocratas.... Não respeita a diversidade, nomeadamente entre os diversos níveis de ensino, promove um olhar meramente "quantitativo" dos resultados dos alunos, não valorizando a avalição qualitativa e os progressos individuais, particularmente importantes na educação pré-escolar e Educação Especial. Sabem que os professores avaliadores poderão ter que faltar às suas aulas - ficando eventualmente os professores subsitutos - para observarem as aulas dos outros colegas??
Também não é verdade que as hipóteses são "ou este ou nenhum", nem que ninguém apresentou outras propostas... Jás as vi da parte dos sindicatos, em blogs de professores com formação específica na área, até em jornais....


Os docentes não querem cumprir o seu horário, não querem estar na escola!!! NÃO É VERDADE!!!
O horário dos professores tem uma componente lectiva (as aulas) e outra não lectiva. Em alguns grupos, com o avançar da carreira, a componente lectiva vai diminuindo, mas, em consequência a não lectiva aumenta, porque o horário dos professores é sempre de 35 horas. Os professores não se têm queixado por os fazerem cumprir o horário!!! As denuncias referem-se a que actualmente, com reuniões atrás de reuniões, discussões,de grelhas etc. têm-se cumprido horários de 50 ou mais horas semanais!!! E estas horas não têm sido em proveito do trabalho com os alunos, têm sido todas em torno da avaliação dos Professores!!! A maior parte dos professores já passava muito tempo na escola. Mas também é necessário ver que parte do trabalho destes (da componente não lectiva) não tem que ser feito necessariamente na escola, e que até esta nem sempre tem condições para tal. Preparar material didáctico, planificar, corrigir e avaliar são actividades docentes que se podem fazer noutos locais. Mas acresce a tudo isso, as reuniões de docentes, de pais, etc. A preparação de projectos de equipas diversos, os trabalhos com a comunidade, os atendimentos, etc. E para fazere cumprir quem não cumpre(que os há, em todas as profissões...), talvez seja mais eficaz exigir a execução de determinadas tarefas (nomeadamente a quem tem horários lectivos reduzidos) do que exigir o estar na escola, só por estar!!!

Os docentes não sabem o que querem e são manipulados pelos partidos e sindicatos!!! NÃO É VERDADE!!!
Isto é altamente ofensivo para os docentes!!! Há docentes que no final de uma carreira nunca tinham feito uma greve ou participado numa manifestação e que foi com muio sacrifício que participaram agora. Há docentes de todos os quadrantes políticos (muitos do partido do governo), sindicalizados ou não. Há muitos docentes que se manifestam precisamente porque estão sentir que estão a ser levados - pelas leis e regulamentações emanandas pelo ministério) - para um caminho com que não concordam - o da burocratização do ensino. Os docentes são quem mais sabe, no âmbito teórico e prático, de ensino, das escolas, do pulsar do sistema. São quem está presente para sentir o clima que se vive, o que se está a passar nas escolas. São quem está a sentir que não consegue cumprir a sua função essencial - educar/ensinar, preparar e avaliar esse processo - porque está atulhado em papéis, grelhas, reuniões e discussões que nada trazem de melhoria para o sistema ou para a melhoria da sua prática pedagógica.


Os docentes estão contra o princípio das aulas de substituição!!! NÃO É VERDADE!!!
Os docentes consideram ser útil que haja professores para substituirem os que faltam, pois todas as pessoas podem ter que faltar (há doenças, consultas, assuntos familiares...). è óptimo que haja essa possibilidade e que oa alunos não percam aulas... Só que o sistema não coloca professores suficientes - cada vez o rácio prof/alunos e maior - para que tal aconteça com normalidade, para que haja professores das várias áreas para fazer essas substituições com rigor científico. E coloca docentes para prestar apoios educativos a determinadas crianças com dificuldades, que vão depois fazer substituições e por isso passam o ano sem dar apoio a essas crianças... E mascaram as estatísticas do númeor de aulas dadas efectivamente, sem fazer distinção das que foram dadas pelo professor titular da disciplina das que foram dadas pelos professores substitutos. Isto é garantir a excelência???

É VERDADE que os docentes estão contra a divisão da carreira em duas categorias (titulares e professores), pois isto não traz mais valia nenhuma para o ensino, é injusta, vem criar mais divisões na classe, levando, mais uma vez a uma competitividade negativa entre colegas, afectando inevitavelmente o clima de escola, que é essencial para o desenrolar de um bom ano lectivo e normal processo educativo. Quem sabe dizer então qual a influência positiva para o ensino?

Por favor, não se deixem vocês, Encarregados de Educação e comunidade em geral, manipular pelos argumentos obviamente demagógicos da parte do Ministério. Procurem saber na vossa escola quais os argumentos dos docentes, procurem saber o que se está a passar. Procurem saber junto dos vossos filhos como está a correr o ano lectivo. Esta luta não é política. Acreditem que a maior parte dos docentes quer trabalhar para a melhoria da educação em Portugal, quer ser avaliada, quer resolver os problemas das escolas e das famílias (nomeadamente o das faltas de professores), mas não a qualquer custo!!! Principalmente não a custo do clima das escolas e da qualidade educativa!!!

Lígia Nogueira
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