Antigamente se dizia em Portugal que a Religião era o "Ópio do Povo”. A frase era dita frequentemente por certas pessoas que criticavam um Estado religioso, que agora é ‘laico’ apesar da maioria dos portugueses ser católica (mais de 80%).
Pois bem, agora o ‘òpio’ do Povo é o Futebol que narcotiza ou faz esquecer os reais e verdadeiros problemas de qualquer país que esteja mergulhando numa crise económica ou financeira (sobretudo de valores) em que tal como no tempo dos Romanos se dava “pão e Circo” ao povo para o controlar.
Efectivamente o Futebol é cada vez mais o desporto das ‘massas’ apreciado por tanta gente que apesar de estar sofrendo medidas restritivas no combate aos ‘déficits’ de cada país, impostas pelos governos que servem mais os interesses do grande Capital do que o povo em geral, o facto é que este anda agora mais preocupado com a prestação da sua “Selecção” no Campeonato Mundial...
Entretanto, o Desemprego é uma chaga social que cresce em Portugal onde milhares de familias passam mal recorrendo ao Banco Alimentar contra a fome que faz peditórios nacionais (de 6 em 6 meses) a fim de ajudar nas necessidades básicas de milhões de portugueses que no fim esquecem suas dificuldades quando o Benfica, o Porto, o Sporting ou a Selecção, ocupam grandes espaços nos tempos de antena na televisão.
É um ‘escape’, dizem alguns psicólogos e sociólogos, mas a verdade é que isso traduz uma certa ‘dormência’ colectiva na consciência das pessoas provocada pelo ‘ópio’ futebolistico que narcotiza as populações que nem se importam que seus craques ganhem milhões enquanto milhares de portugueses não têm sequer dinheiro para pagar a escola de seus filhos, ou a renda de casa onde moram, enquanto os governantes (que o povo elege e confia os destinos do país) têm seus privilégios assegurados e ordenados bem pagos, pouco se importando de resto com os mais pobres e carenciados da Nação. Nem pedem desculpa ao povo pelos erros e males da desgovernação, tal é a soberba de quem (des) governa e se sente campião.
E "Viva o Benfica"...
Pausa para reflexão!
Rui Palmela



