Faz hoje 100 anos que se comemora a implantação da República em Portugal que foi o resultado de um golpe de estado organizado pelo Partido Republicano Português que destituiu a Monarquia Constitucional no dia 5 de Outubro de 1910 para dar ao povo direitos, liberdades e garantias de uma vida melhor, porém 100 anos depois e após a queda do “Estado Novo” (o regime salazarista) em 25 de Abril de 1974, o Povo continua à espera de melhores dias e verifica-se que os ‘donos’ da “Democracia” são neo-liberais numa “República Burguesa” onde os politicos enriquecem como a Realeza e falam de Igualdade e Justiça Social.
Mas recuando 100 anos atrás, vale a pena conhecer um pouco da história como tudo começou no Regicídio (assasinato do Rei) no dia 1 de Fevereiro de 1908 na Praça do Comércio (ou Terreiro do Paço em Lisboa) que marcou profundamente a história da Monarquia no país, uma vez que dele resultou a morte do Rei D.Carlos e do seu filho herdeiro, o Príncipe D.Luís Filipe, terminando assim 750 anos de dominio real desde a Fundação de Portugal.
O atentado ficou a dever-se ao progressivo desgaste do sistema político português na época em que, tal como agora, havia uma alternância de dois partidos no Poder: o Progressista e o Regenerador, fazendo lembrar o Socialista e o Social-Democrata.
O Rei, como árbitro do sistema político (tal como o Presidente da República hoje) havia designado João Franco para o lugar de Presidente do Conselho de Ministros, chefe do Governo. Este, dissidente do Partido Regenerador, solicitou ao Rei o encerramento do Parlamento para poder implementar uma série de medidas com vista à moralização da vida política. Com esta medida acirrou-se toda a oposição, não só a republicana (bastante activa em Lisboa), mas também a monárquica, liderada pelos políticos rivais de Franco.
O Rei tornou-se então no alvo de todas as críticas, que acusavam Franco de governar em Ditadura. A questão dos Adiantamentos à Casa Real (regularização de dívidas régias ao Estado) e a assinatura do Decreto de 30 de Janeiro de 1908, que previa a expulsão sumária para as colónias dos envolvidos numa intentona republicana ocorrida dois dias antes, precipitaram os acontecimentos.
O Rei, a Rainha e o Príncipe Real encontravam-se na altura em Vila Viçosa, no Alentejo, onde costumavam passar uma temporada de caça no inverno. Os acontecimentos acima descritos levaram D. Carlos a antecipar o regresso a Lisboa, tomando o comboio na estação de Vila Viçosa, na manhã do dia 1 de Fevereiro. A comitiva régia chegou ao Barreiro ao final da tarde, onde tomou o vapor com destino ao Terreiro do Paço, onde desembarcaram por volta das 17 horas da tarde. Apesar do clima de grande tensão, o rei optou por seguir em carruagem aberta, com uma reduzida escolta, para demonstrar alguma normalidade.
Enquanto saudava a multidão presente na Praça, a carruagem foi atacada por vários disparos. Um tiro de carabina atravessou o pescoço do Rei, matando-o imediatamente. Seguiram-se vários disparos, e o Príncipe Real conseguiu ainda alvejar um dos atacantes, sendo em seguida atingido na face por um outro disparo.
O infante D.Manuel é também atingido num braço. Dois dos regicidas, Manuel Buíça, professor primário expulso do Exército e Alfredo Costa, empregado do comércio e editor de obras de escândalo, são mortos no local. Outros fogem. A carruagem entra no Arsenal da Marinha, onde se verifica o óbito do Rei e o do Herdeiro do Trono.
O infante sobrevivente ao atentado, D.Manuel II, reinaria até 1910. Após o atentado, o Governo pediu a demissão de João Franco, que não impedira a morte do Rei. O Governo "de Acalmação" lançou um rigoroso inquérito que ao longo de dois anos se veio a apurar que o atentado fora cometido por membros da Carbonária (que se diz ligada á Maçonaria), que pretendia liquidar a Monarquia. O processo de investigação estava concluído nas vésperas do 5 de Outubro.
Entretanto, tinham sido descobertos mais suspeitos no Regicídio, um dos quais Aquilino Ribeiro, Virgílio de Sá, Domingos Fernandes, entre outros. Alguns dos elementos estavam refugiados no Brasil e em França, e dois pelo menos foram mortos pela própria Carbonária. O regicídio acabou por abreviar a monarquia ao colocar no trono o jovem D.Manuel II e lançando os partidos monárquicos uns contra os outros, com gáudio dos republicanos.
A Europa ficou revoltada com o atentado ao Rei D.Carlos, pois este era estimado pelos restantes chefes de estado europeus.
Toda esta história que aqui coloquei tem por finalidade levantar uma questão que me parece pertinente, pois houve recentemente a trasladação do cadáver de Aquilino Ribeiro (um dos implicados na intentona) que foi retirado do cemitério dos Prazeres onde esteve durante 44 anos para ser colocado no Panteão Nacional. O pedido foi feito por alguns interessados que ficaram satisfeitos com a autorização do governo socialista que procedeu à cerimónia oficial e tudo. Não estiveram presentes membros da Monarquia por motivos óbvios.
Perante este facto, faço aqui a seguinte pergunta como cidadão português: Porque é que Aquilino Ribeiro mereceu honras de Estado e ocupou um lugar no Panteão Nacional onde supostamente só deverão estar figuras dignas de relevo (não de criminosos claro) que merecem ser lembradas na História de Portugal? Será que foi apenas por ser um grande romancista ou escritor? Não o mereceriam por isso outros bem maiores do que ele?
Que se pretendeu mostrar com este tipo de ‘provocação’ na vigência do Governo Socialista do século XXI em que o próprio Presidente da República Dr. Cavaco Silva (da Social-Democracia), juntamente com o 1º Ministro José Sócrates (Socialista) e o Presidente da A .R. Jaime Gama assinaram todos por baixo?
Fica aqui esta questão.
Pausa para reflexão!
Rui Palmela






