Como todos os formadores de opinião, o comentador da SIC, Miguel Sousa Tavares, emitiu a sua própria na defesa das Touradas em Portugal e acha que não se devia proibir em Espanha uma tradição secular que só as mentalidades retrógradas sustentam ainda chamando de ‘cultura’ uma tortura medieval de maus tratos a um animal que serve apenas de divertimento para as multidões sequiosas de sangue que vibram nas arenas aplaudindo (de pé ou sentadas) as ignóbeis e tristes cenas.
Causa-me espanto que certas pessoas do meio intelectual aficionadas por este tipo de espectáculos bárbaros, sangrentos e violentos, apresentem seus argumentos tão falaciosos e deprimentes, destituidos de qualquer fundamento lógico, ético, moral e espiritual, tentando justificar uma ‘tradição’ romana que há muito devia ter acabado e nada justifica que persista na Actualidade. De resto “o grau de cultura e de civilização de um povo (ou Nação) conhece-se pela forma como trata seus próprios animais”, dizia Gandhi, o grande pacifista e humanista do século XX que a própria UNESCO havia de reconhecer e corroborar numa Declaração feita em 1980 onde refere que...
“A Tauromaquia é a terrível e venal arte de torturar e matar animais em público, segundo determinadas regras. Traumatiza as crianças e adultos sensíveis. A tourada agrava o estado dos neuróticos atraídos por estes espectáculos. Desnaturaliza a relação entre o homem e o animal, afronta a moral, a educação, a ciência e a cultura”...
Miguel de Sousa Tavares é livre de exprimir sua opinião a favor das Touradas em Portugal, tal como sou livre de expressar a minha contra esses espectáculos de tortura e violência contra um animal que, segundo ele, se extinguiria se acabassem as touradas, pois não servem para outra coisa senão para serem maltratados, violentados e mortos nas arenas.
Isto é de tamanha mediocridade intelectual que faz impressão que venha de alguém que parece ser culto e inteligente, pois é jornalista de profissão e comentador de televisão, mas vive mentalmente no passado e tem dificuldade de se situar no presente onde o mundo está em constante mudança e transformação e sua Humanidade precisando já duma grande RENOVAÇÃO.
Fico por aqui...
Pausa para reflexão!
Rui Palmela