sábado, 6 de janeiro de 2007

A QUESTÃO DO ABORTO


Sobre este assunto bastante polémico e sobre as razões que muitos defenderam para a despenalização do aborto em Portugal, gostaria de dizer antes de mais que não achava bem que algumas mulheres portuguesas tivessem de responder em Tribunal pelos abortos que fizeram. Afinal eu também não gostaria de ver a minha mãe sentada no banco dos réus respondendo por ter abortado uma ou outra vez por alguma razão em que tivesse de tomar essa dificil decisão. Além do mais a falta de informação e meios de utilizar a pílula naquele tempo contribuiram em muito para tantas mulheres recorrerem a essa prática abortiva quando engravidavam sem o desejarem.

Porém, hoje não se coloca mais essa questão, porquanto há imensa informação a este respeito e existem milhões de anti-concepcionais ao alcance de qualquer jovem que começa logo a tomar a pílula aos 12 ou 13 anos de idade para suas experiências sexuais, bem prematuras de resto nos liberalismos e emancipações dos dias actuais.

Ora, muito mais experiência têm as mulheres adultas que só engravidam por descuido ou porque desejam (excepto nos casos de violação), não sendo isso motivo para alterar a lei anterior que também permitia o aborto no caso de mal-formação do feto ou gravidez de risco que implicasse a morte para a gestante. Entretanto a nova lei foi aprovada e os abortos passaram a ser autorizados até às 10 semanas sem penalizações, pouco importando que essa "pena de morte" aplicada a fetos e embriões passe a vigorar no meu país que até foi pioneiro na abolição da Pena de Morte no Mundo. Até parece contradição, mas é assim a chamada "Democracia" que não é melhor do que as ditaduras em relação a esta questão. Essas pelo menos proibem a prática abortiva de seres indefesos na barriga da mãe e condenam sim os criminosos ou criminosas que o façam.



Enfim termino deixando aqui um texto de José Antonio Saraiva, que diz sobre a campanha pelo Aborto o seguinte:

"A atracção pela morte é um dos sinais da decadência. Portugal deveria estar, neste momento, a discutir o quê? Seguramente, o modo de combater o envelhecimento da população. Um país velho é um país mais doente. Um país mais pessimista. Um país menos alegre. Um país menos produtivo. Um país menos viável – porque aquilo que paga as pensões dos idosos são os impostos dos que trabalham.

Era esta, portanto, uma das questões que Portugal deveria estar a debater e a tentar resolver. Como? Obviamente, promovendo os nascimentos. Facilitando a vida às mães solteiras e às mães separadas. Incentivando as empresas a apoiar as empregadas com filhos, concedendo facilidades e criando infantários. Estabelecendo condições especiais para as famílias numerosas. Difundindo a ideia de que o país precisa de crianças – e que as crianças são uma fonte de alegria, energia e optimismo.Um sinal de saúde. Em lugar disto, porém, discute-se o aborto.

Discutem-se os casamentos de homossexuais (por natureza estéreis). Debate-se a eutanásia. Promove-se uma cultura da morte. Dir-se-á, no caso do aborto, que está apenas em causa a rejeição dos julgamentos e das condenações de mulheres pela prática do aborto – e a possibilidade de as que querem abortar o poderem fazer em boas condições, em clínicas do Estado. Só por hipocrisia se pode colocar a questão assim. Todos já perceberam que o que está em causa é uma campanha.

O que está em curso é uma desculpabilização do aborto, para não dizer uma promoção do aborto. Tal como há uma parada do 'orgulho gay', os militantes pró-aborto defendem o orgulho em abortar. Quem já não viu mulheres exibindo triunfalmente t-shirts com a frase «Eu abortei»?Ora, dêem-se as voltas que se derem, toda a gente concorda numa coisa: o aborto, mesmo praticado em clínicas de luxo, é uma coisa má. Que deixa traumas para toda a vida. E que, sendo assim, deve ser evitada a todo o custo. A posição do Estado não pode ser, pois, a de desculpabilizar e facilitar o aborto – tem de ser a oposta. Não pode ser a de transmitir a ideia de que um aborto é uma coisa sem importância, que se pode fazer quase sem pensar – tem de ser a oposta. O Estado não deve passar à sociedade a ideia de que se pode abortar à vontade, porque é mais fácil, mais cómodo e deixou de ser crime.

Levada pela ilusão de que a vulgarização do aborto é o futuro, e que a sua defesa corresponde a uma posição de esquerda, muita gente encara o tema com ligeireza e deixa-se ir na corrente. Mas eu pergunto: será que a esquerda quer ficar associada a uma cultura da morte? Será que a esquerda, ao defender o aborto, a adopção por homossexuais, a liberalização das drogas, a eutanásia, quer ficar ligada ao lado mais obscuro da vida? No ponto em que o mundo ocidental e o país se encontram, com a população a envelhecer de ano para ano e o pessimismo a ganhar terreno, não seria mais normal que a esquerda se batesse pela vida, pelo apoio aos nascimentos e às mulheres sozinhas com filhos, pelo rejuvenescimento da sociedade, pelo optimismo, pela crença no futuro? Não seria mais normal que a esquerda, em lugar de ajudar as mulheres e os casais que querem abortar, incentivasse aqueles que têm a coragem de decidir ter filhos?"

Subscrevo inteiramente estas palavras, isento de qualquer partidarismo político ou posição doutrinária de qualquer Religião.

Pausa para reflexão!

Rui Palmela

5 comentários:

  1. É estranho que tendo sido Portugal um país pioneiro no mundo pela abolição da pena de morte, estejam agora empenhados alguns partidos politicos, inclusive o do Governo, pela implementação da "pena de morte" a bébés humanos na forma de fetos e embriões.

    SOU PELO NÃO!

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  2. Tenho ouvido os argumentos de ambos os lados, uns pelo "sim" e outros pelo "não" e todos parecem ter razão.
    Penso que há coisas muito mais importantes no país que deviam ser referendadas e a questão do Aborto devia ser de âmbito pessoal e não nacional. Porém, conforme cada caso, seriam os médicos responsabilizados por fazerem ou não interrupção de gravidez das mulheres que o desejassem por qualquer razão.

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  3. Pedro Veiguinha12 janeiro, 2007

    Para muitos, a questão da suposta interrupção voluntária da gravidez é uma questão de vida ou de morte. Ao ver as dezenas de movimentos de cidadãos mobilizados por este tema, num primeiro momento regozijo-me, porquanto o habitual entre nós é a crítica cheia de soberba e a maledicência, ambas passivas e positivamente inconsequentes. Mas, reflectindo um pouco, apercebo-me que, uma vez mais, contemplo uma espécie de disputa futebolística de ideias.Ou diria partidária? (por vezes confundo o futebol com a política e os clubes com os partidos).
    Neste caso, seja qual for o resultado, não haverá vencedores após o referendo. Apenas vencidos. Todos nós.Depois dos resultados saírem, os movimentos recolhem os estandartes convencidos de que ganharam alguma coisa e a questão da vida ou da morte continuará esquecida. Quer ganhe o sim, quer ganhe o não, haverá abortos, tal como sempre os houve mesmo nas sociedades ditas primitivas.Pior,e isto sim é dramático, continuaremos a desconhecer o que é a vida e o que é a morte. Continuaremos a caminhar para uma morte de ideias e, quiçá, da nossa alma, convencidos de que isto é que vida! Urge, pois, uma interrupção voluntária deste aborto colectivo.

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  4. Pergunto: se a questão é, neste momento, 'descriminalizar' meia dúzia de mulheres (entre milhares que fizeram aborto neste país e não foram penalizadas), não seria mais fácil uma repreensão em Tribunal e uma condenação suspensa por determinado tempo, e deixar a lei tal como está sem politizações e confrontações éticas e dialéticas e poupança de recursos financeiros para o Estado com a questão do Referendo?

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  5. Há quem diga que um feto ou embrião com dez semanas não é vida humana, pretendendo assim justificar sua posição pelo "sim" à despenalizaçao da prática do Aborto em Portugal.

    Perante esta afirmação que me pareceu destituida de verdade, fui ver a um site como é um feto de 10 semanas para ver se tem forma humana ou não e tirei minha conclusão. Que cada uma tire a sua: http://www.gineco.com.br/dez.htm

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