segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

A FAMIGERADA "MATANÇA DO PORCO"


É comum ainda ver neste país, infelizmente, imagens como esta da famigerada “matança de porco” que se pratica principalmente entre Novembro e Fevereiro, e mais ainda por altura do Natal. Ao clicar na imagem acima pode ver outras mais que fazem parte das tradições de certas regiões onde se devia apostar mais na Cultura e na Educação que estagnou no tempo e no espaço, perpetuando-se os erros e maus hábitos alimentares da população. É lamentável, de facto, que ainda se mantenham práticas e costumes que há muito deviam ter acabado e impressionam qualquer pessoa sensível, humana, dotada de consciência e razão.


Mas mais lamentável ainda é o facto de haver professores da instrução primária que ‘educam’ nossas crianças no sentido de verem e aceitarem estas imagens sangrentas e violentas como se fossem ‘normais’, muitas delas indo ver de perto como se faz, e outras sendo já dessas zonas rurais seguem os exemplos de seus próprios pais. Vejam a seguir um ‘trabalho escolar’ infantil do ano lectivo 1999/2000:

“RELATO DA MATANÇA DO PORCO”

No dia 21 de Fevereiro (2ª feira) estivemos a ver na internet as páginas feitas pela nossa Educadora e pelos colegas, na Acção de Formação. Imprimimos as páginas que nós mais gostámos, nas quais estava a poesia: " Uns Porquinhos Bem Limpinhos ". A nossa Educadora começou a ler a poesia, mostrando as imagens e foi quando o Marco (de 3 anos) interrompeu e disse:- "Ontem o meu pai matou dois porcos. Espetou-lhe a faca no focinho o porco grunhiu e deitou muito sangue para dentro de um alguidar e para o chão. Penduraram o porco, tiraram-lhe as tripas e depois partiram-no assim e assim com um machado (exemplificava com movimentos). Agora estão a migar a carne para fazer chouriços e mais coisas para nós comermos. Todas as crianças ouviram com muita atenção o Marco e depois de algumas perguntas e respostas continuaram com a poesia, da qual gostaram muito".


Do site: http://aproximar.drealentejo.pt/SJuliao/trabalhos/matancaporco.htm


Sinceramente, não sei que tipo de ‘poesia’ se pode ver nas imagens que levaram as crianças a desenhar cenas chocantes que me impressionaram profundamente na realidade, pois já presenciei uma matança de porco e fiquei angustiado para o resto do dia ao ver o animal aflito, violentado, amarrado e por fim morto com um facalhão entrando pelo peito até ao coração, esvaindo-se em sangue, grunhindo de dor e aflição que se ouvia por todo o lado.

Já que estamos em época de Natal, onde se fala tanto de paz e amor, faço um apelo para que se mudem as mentalidades e certos comportamentos impróprios do homem que quer evoluir e deseja construir um mundo melhor.

Termino esta dissertação, com a habitual "Pausa para reflexão"!

Rui Palmela

8 comentários:

  1. Jaquim Manel04 dezembro, 2007

    Viva, É verdade que é uma situação marcante, claro que o é, principalmente para uma criança a mim marcou-me imenso e os ginchos ecoam na nossa cabeça durante meses!!!
    mas cortarem a cabeça a uma galinha, tb não é uma "cena" digna de se ver... Mas temos de pensar que a grande maioria desses animais só existe nas nossas casas com o fim!!! o de acabar no prato!!! será mais digna a morte de um animal num qualquer matadoro??? tenho dúvidas, na matança do porto, o porco sempre é o centro das atenções e é o "rei" do dia!!! no matadoro são milhares a caminho da morte!!!
    http://jaquimmanel.blogspot.com

    e para descontrair e mudar para um assunto menos pesado!!!
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    http://jogos.my-php.net

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  2. Caro amigo Jaquim Manel,

    Concordo plenamente de que cortar o pescoço a uma galinha, dar um soco na cabeça de um coelho, ou torcer o pescoço a um pombo, etc., também não são "cenas" dignas de serem vistas e traumatizam uma criança que esteja vendo. E na minha opinião tudo isso está errado apesar de toda a gente pensar que os animais foram feitos para acabar no prato das pessoas como refeição. Esse é o grande problema dos homens que ainda não evoluiram no verdadeiro sentido da vida e marcam passo neste Mundo onde colhem o mal que semeiam na forma de guerras, doenças, violência, desgraças de todo o género, por vivermos de forma contrária à Natureza, à Ordem do Universo, por termos degenerado há muito de nossa humana condição.

    E se você acha que a matança do porco no Porto ou qualquer outra terra do nosso país, é mais digna desse modo do que num Matadouro onde milhares são chacinados todos os dias juntamente com outros, para atender à famigerada alimentação humana, então já é altura de mudar e deixar de comer cadáveres de animais como eu faço há mais de 30 anos e dou assim meu bom exemplo de respeito pela vida de todos os seres vivos que fazem parte, tal como nós, deste Mundo da Criação. Veja a vida por esse prisma e deixe-se de jogos Online ou outros que não o ajudam muito a progredir numa verdadeira direcção.

    Um bom dia e

    Pausa para reflexão!
    Rui Palmela

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  3. Não gosta de ver essas imagens chocantes e ainda mais por ter assistido a uma coisa dessas em pequena e passo a explicar porque:
    Eu teria os meus seis anos ou sete e fui a uma matança de porco em casa de meus pais, confesso que mesmo morando na aldeia nunca tinha visto alguma e não sabia o que ia acontecer.
    Como não tinha a protecção dos meus tios pois estava nos meus pais, eu fui obrigada a assistir ao que eles estavam a fazer de forma cruel.
    Qual o meu espanto que vi ser levado um porco para cima de um banco já feito para o efeito e me obrigaram a segurar uma bacia para aparar o sangue...
    O resto já imaginam, como eu chorava complusivamente acho que fiz com o que senhor que estava a fazer o serviço não acertasse.
    Coitado do bicho que sofreu ainda mais.
    Resultado eu corri para a casa de banho e ja sabem o resto.
    Sonhei meses a fio com tudo aquilo e ainda hoje escuto o seu grunhidos aflitos. É cruel de facto!

    Betimartins

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  4. Quando eu era miúda, vivia no alentejo com a minha mãe e os meus irmãos. E todos os anos a minha mãe criava um porquinho para matar assim perto do natal, para termos comer (carne) durante o ano todo, pois só no ano seguinte havia outro porquito. Sempre que acontecia a matança do porco, eu ia esconder-me por detrás da porta com os dedos enfiados nos ouvidos para não ouvir os gritos do pobre animal. Sinceramente é uma injustiça os animais terem de morrer para nós comermos. Se eu tivesse de matar para comer, morria de fome. Não sou capaz de matar nenhum animal; galinha, coelho, pombo, etc. Preferia comer pão sem nada, e fruta, hortaliça. Animais nunca. Assim, quando vou ao talho, já só vejo a carne cortada, já nem sequer penso que eles eram seres vivos. Mesmo assim, estou a pensar sériamente em me tornar vegetariana. Cada vez tenho mais dó dos animais.

    Obrigado pelas tuas reflexões. Fazem-me mesmo ficar a pensar.

    Um respeitoso abraço
    Bia

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  5. Obrigado pela participação, amigas Bia e Beti, e vosso testemunho pessoal sobre as experiências desagradáveis que viveram em crianças quando tiveram de assitir à famigerada "matança de porco" que se tornou uma 'festa' no nosso país e que devia ser proibidos esses actos públicos com crianças presentes. É muito violento e traumatizante para elas. Deviam ser autuados com pesadas coimas os que assim procedem. É o que penso!

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  6. Como o Rui sabe aqui em Palmela, mais propriamente na Quinta do anjo onde eu vivo, ainda se assite muito a este tio de crueldade...

    Ainda a bem pouco tempo isso fazia-se na casa da minha bis avo... Lwmbro me de ter assistido algumas vezes, e confesso que foi umas cenas dignas de um trauma gigante... Quando me lembro doi...
    Para não falar das festnça que é matar um porco... Ate parece que o porco cometeu algum crime... Enfim... :(

    Mas em casa ou no matadouro pelo que sei, o tratamento em ambos é igual... O sofriemento do animal é o mesmo...

    Para quando uma mudança? Para quando o fim deste Mundo iniquo em que vivemos?

    Fica a duvida e sempre ficara...

    Abraços

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  7. Sim, sei bem o que se faz ainda aí em Palmela por muitos lados com a famigerada matança de porco. A única vez que assisti a uma matança foi quando estive na tropa em Viseu e digo que fiquei chocado e traumatizado com os guinchos aflitivos do animal à medida que lhe espetavam uma faca enorme até ao coração.

    Nem sei como há pessoas que fazem aquilo com tanta naturalidade sem sentirem nada em seu coração.

    É cruel, de facto, tal como os abates de animais em massa nos Matadouros onde tantos ainda se sacodem no ar, pendurados pelas patas, sangrando abundantemente para o chão.

    Tudo para atender aos apetites zoofágicos dos seres humanos, ávidos de carne, que ainda não aprenderam a comer de forma mais sã e pacífica sem necessidade de matar milhões de seres da Criação.

    Tudo isto se paga caro, com um karma pessoal ou colectivo que se ajusta na forma de guerras, violência, doenças degenerativas, pandemias, e outras desgraças neste de século da Civilização.

    O homem tem de mudar seus comportamentos com a Natureza, começando pela sua alimentação.

    Pausa para reflexão!

    Um abraço,

    Rui Palmela

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  8. Eu acredito que muitos comentários são tecidos em função das aparências das matanças e não sobre o fato em si. Atualmente consumimos inúmeros produtos de origem animal, sejam alimentos ou não. Sendo assim, a matança do porco, o soco no coelho, a decapitação da galinha e a martelada no boi são mortes tão violentas quanto o esmagar de uma formiguinha. A diferença é a reação de cada ser e o impacto disso sobre nós.

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