segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O MENINO E A BONECA


Esta história comovente me tocou o coração e repasso neste meu Blog por merecer a nossa atenção. Desconheço o autor mas pouco importa para fazer uma profunda reflexão. Aqui fica:

Fui ao mercado comprar uns presentes. Quando vi todas aquelas pessoas, comecei a reclamar comigo mesmo: "Isto vai demorar a vida toda e ainda tenho tantas coisas para fazer e outros lugares para ir.

Como gostava de poder deitar-me, dormir e só acordar após ter passado toda a barafunda. Sem notar, andei até à secção de brinquedos e lá comecei a bisbilhotar os preços e a imaginar se as crianças realmente brincam com esses brinquedos tão caros.

Enquanto olhava a secção de brinquedos, notei um menino de mais ou menos 5 anos a agarrar uma boneca contra o peito. Ele acarinhava o cabelo da boneca e olhava-a tão triste que tentei imaginar para quem seria aquela boneca que tanto apertava.

O menino virou-se para uma senhora junto dele e disse: "Avó, tens a certeza que eu não tenho aqui dinheiro do meu mealheiro para comprar esta boneca?" E a senhora respondeu: “Sabes que o teu dinheiro não é suficiente, meu querido!" E disse para o menino ficar ali só mais um pouquinho a olhar para os brinquedos, enquanto ia ver outras coisas.

O menino continuava a segurar a boneca nas suas mãos e dei por mim a caminhar na sua direcção. Perguntei-lhe a quem queria dar aquela boneca e ele respondeu: "Esta é a boneca que a minha irmã mais adorava. Ela acreditava que o nosso pai lhe daria uma este ano.”

E eu disse-lhe: "Não fiques tão preocupado, acho que ele irá dar a boneca à tua irmã." Mas ele muito triste disse-me: "Não, o meu pai não poderá levar-lhe a boneca onde ela está. Tenho que dar a boneca à minha mãe e ela poderá dar a boneca à minha irmã, quando ela for lá."

Os seus olhos encheram-se de lágrimas enquanto falava e dizia: “A minha irmã teve que ir embora para sempre. O meu pai disse-me que a mãe também irá para perto dela em breve. Então, pensei que a minha mãe poderia levar a boneca e entregá-la à minha irmã"...

O meu coração parou de bater. Aquele menino olhou para mim e continuou dizendo: "Eu disse ao meu pai para dizer à minha mãe para não ir ainda. Pedi-lhe que esperasse até eu voltar do mercado"... Depois, o menino, mostrou-me uma foto muito bonita dele rindo e disse-me: "Eu também quero que a mãe leve esta foto com ela, assim ela não se esquecerá de mim, eu gosto muito da minha mãe e não quero que ela parta agora mas o meu pai disse que ela tem que ir para ficar com a minha irmãzinha" e ficou olhando para a boneca com os olhos tristes e muito quieto.

Eu rapidamente procurei a minha carteira e peguei nalgumas notas e disse para o garoto: "E se contássemos novamente o teu dinheiro, só para termos certeza de que tens dinheiro para comprar a boneca”?

Juntei as minhas notas ao dinheiro dele, sem que ele se apercebesse e começamos a contar. Depois de contarmos o dinheiro, dava para comprar a boneca e ainda sobravam uns trocos. Vi o menino fechar os olhos e orou: "Obrigado, Deus, por atenderes o meu pedido e teres-me dado dinheiro para comprar a boneca"...

Depois, olhou para mim e disse: "Ontem antes de dormir, eu pedi ao senhor Deus que fizesse para que eu tivesse dinheiro para comprar a boneca para a minha irmã e assim a mãe já pode levar com ela. Eu também queria comprar uma flor amarela para dar à minha mãe porque ela gosta muito e vou levar-lhe uma"...

Uns minutos depois, a senhora voltou para buscar o menino e fui-me embora sem ser notado. Terminei as compras num estado de espírito totalmente diferente daquele com que havia começado. Entretanto, não consegui tirar aquele menino do meu pensamento.

Lembrei-me de uma notícia no jornal local, já com dois dias, quando mencionava que um homem bêbado, numa camioneta, bateu num carro onde estavam uma jovem senhora e uma menina. A criança faleceu no local e a mãe estava em estado muito grave no hospital e a família já havia decidido mandar desligar as máquinas porque não havia nada a fazer conforme diziam os médicos.

Pensei se seria a família daquele menino. Dois dias após meu encontro, li no jornal que a jovem senhora havia falecido. Eu não pude conter-me e saí para comprar um ramo de rosas amarelas e fui ao velório daquela jovem .... Ela segurava uma linda flor amarela nas mãos, junto com a fotografia do menino e com a boneca ao peito.

Deixei o local a chorar, senti que a minha vida tinha mudado desde aquele momento. O amor daquele menino pela sua mãe e irmã continua gravado na minha memória até hoje. E tudo porque um condutor embriagado havia de enlutar aquela familia e tirado para sempre a mãe e irmã daquele menino.

Fica aqui esta história que poderia servir para uma campanha contra a sinistralidade nas nossas estradas que são das piores do mundo em acidentes de viação onde tanta gente é apanhada conduzindo sobre o efeito do alcool e em excesso de velocidade cometendo infracção.

Pausa para reflexão!

Rui Palmela


8 comentários:

  1. Fiz um texto no meu blog que gostaria que divulga-se, chama-se: "Ilha das Flores".

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  2. Lindo texto...
    Lendo palavras como estas, refletimos sobre nossas vidas e percebemos o quanto damos valor a coisas que não o têm...

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  3. Olá Rui

    Esta história tem a sua beleza pelo amor incondicional que este menino transmite, além de dar uma bela lição de vida a todos nós.

    Como entretanto aconteceu aqui algo insolito e tenebroso eu vou contar outra pequena história real passada ha uma semana que até saiu no nosso jornal mas triste também.

    Em uma escola de uma aldeia onde as crianças correm quando saem felizes para irem para casa aconteceu uma grande tragedia com um menino de sete anos.

    Ele saiu da escola correndo como qualquer criança saudavel sai para ir para casa ter com a sua familia e onde o acompanhava um irmão mais velho.

    Ele se desiquilibrou e caiu na estrada mesmo na berma e uma senhora que conduzia seu carro a alta velocidade passou por cima de sua cabeça e como se não bastasse ela nem abrandou esmagando seu cranio.

    O seu irmão assistiu sem nada poder fazer, as pessoas gritavam e nada parava aquele carro e por incrivel que possa parecer uma irmá da condutora é que se colocou a frente do carro obrigando a senhora a parar que disse que pensou ser um cão.

    Uma condutora sem respeito pelos outros e pior de tudo com uma criança dentro do carro que ainda nao consegui sair de casa dizendo que ainda escuta os ossos do menino a estalar, essa menina tem seis anos somente, pequena mas ciente dos erros da sua mãe.

    Uma vida destroçada um menino cuja mãe era alcoolica e familia pobre desmembrada que quis o destino ser ainda mais sofrida com semelhante perda.

    A senhora esta metida em casa alegando insanidade sem falar com ninguem mas se parar para pensar em tudo podemos ver o estrago que fez uma condutora sem responsabilidades.

    Destroi seu lar, sua familia porque até suas irmãs se disposeram a ir testemunhar contra ela pelo que assistiram .

    A familia do menino, pobre sem grandes alegrias e ainda lhe tiram aquele menino.

    Eu sei que se ela pudesse voltaria atras no tempo e passaria com cuidado naquele sitio mas o tempo não perdoa e nem é justo ele anda e nunca para segue sempre.

    Por isso a falta de etica e respeito acontece por este mundo fora e que isto se junte a esta história de autor desconhecido com uma bem real e com propoções tragicas e onde nem o amor familiar chegou para tal revolta.

    Pausa para reflexão
    Beijos meu amigo
    Betimartins

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  4. Há de facto cada vez mais gente louca a conduzir, amiga Beti, com ou sem o efeito do alcool.

    Essa história que contaste da condutora que esmagou o cranio duma criança e não parou dizendo que pensava que fosse um cão, é lamentável de alguém que anda na estrada com falta de vista e nem distingue o corpo de um menino caido na berma da estrada e mesmo que fosse um cão mereceria o mesmo respeito e teria era de parar e tentar reparar o erro que cometeu. Aliás mesmo que fosse um passarinho, como aconteceu comigo um dia destes quando conduzia meu carro e veio contra o vidro um pobre pardalito que ficou caido na estrada e eu parei à frente para ir apanhá-lo e pedir-lhe desculpa pela sua morte apesar de não ter culpa.

    Claro que acredito que essa senhora não fez de propósito ao atropelar o menino e deve estar agora com grande peso na sua consciência pelo sucedido, bem como a filha pequena que ia com ela e ouviu o cranio ser esmagado deve estar muito traumatizada. São acontecimentos terriveis na vida duma pessoa que podiam ser evitados se houvesse mais atenção e cuidado na condução.

    Enfim...

    Pausa para reflexão!

    Abraços

    Rui Palmela

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  5. Muitas pessoas sao verdadeiros neuróticos. Circulam na estrada mas estão alienados do volante. São distraidos, deixam-se dormitar,e dado o seu estado ansiolítico sao extremamente apressados pretendendo chegar a um destino que idealizaram. O que acabei de referi mata muito mais do que alcool, o qual desinibe um pouco se ingerido em doses minimas, sobtretudo para quem não tem o organismo adaptado a este perigoso tóxico.
    Como os testes de condução para aquisição de cartas não testam estes elementos destabilizadores da psique continuam presentes e a matar os inocentes e os possessos. Numa máquina em movimento vertiginoso como é um automóvel a circular,este torna-se um imenso perigo ameaçador da vida ,,

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  6. Concordo com o que diz, amigo Jacinto Pereira, ainda hoje ouvi (no noticiário da tv) o número de automobilistas que circulam nas nossas estradas a alta velocidade acima dos 200 km/h e outros 'menos' trangressores entre os 140 e 200. Muitos certamente com taxa alcoolica no sangue após um almoço ou jantar bem regado.

    O que mais me espanta, caro amigo, é o facto dos automóveis serem cada vez mais potentes e atingir velocidades vertiginosas quando o limite em qualquer país é de 120 Km/h.

    Porque é que os governos não obrigam as fábricas a colocarem limitadores selados de acordo com o permitido em cada país para onde os carros sejam vendidos? Penso que seria uma forma de diminuir a sinistralidade... Mas chego a duvidar que haja verdadeiras intenções ou preocupações dos governantes para combater o genocídio ou guerra civil nas estradas.

    Abraço

    Rui Palmela

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  7. Olá Rui..... Muito Lindo a Histório, estou usando como reflexão com os colaboradores da empresa o qual trabalho em minhas palestras...
    www.trilhaaosucesso.com

    Felicidades

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  8. ME TOQUEI MUITO COM OS DOIS TEXTOS CREIO QUE
    QUEM FAZ ISSO COM A VIDA DELE PREJUDICA A VIDA
    DOS OUTRO QUE NAO TEM CULPA DE UM PORRI
    OU UMA NOITADA DESSE BEBADOS MALUCOS
    SAO SEMPRE OS INOCENTES QUE PAGAM POR ISSO
    VAMOS REFLETIR E PENSAR MELHOR ANTES DE AGIR
    SO ASSIM O MUNDO MUDA !!!

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