
Um dos maiores filósofos gregos da Antiguidade, Pitágoras, condenava o hábito de comer carne. Os pitagóricos eram vegetarianos e faziam refeições simples. Um pouco mais tarde foi mesmo o sábio Hipócrates (Pai da Medicina) que dizia:
“Somos o que comemos e bebemos”, defendendo a idéia de que ...“Todo o homem deve ser um aprendiz da natureza. Se realmente deseja cumprir o seu dever, deve tratar de conhecer as relações que existem entre a saúde do homem e a sua alimentação”.
Os mais antigos exemplos do vegetarianismo conhecidos vem da tribo dos Hunzas, um povo montanhês dos Himalais que é considerado o mais longevo do Mundo, com uma saúde excelente. Homens de 80 anos tem a mesma força e aparência de jovens de 30 e chegam a atingir uma idade de 130 anos, havendo mesmo relatos de terem chegado aos 150. Eles seguem a doutrina budista que diz:
“Feliz seria a terra se todos os seres estivessem unidos pelos laços da benevolência e só se alimentassem de alimentos puros, sem derrame de sangue. Os dourados grãos, os reluzentes frutos e as saborosas ervas que nascem para todos, bastariam para alimentar e dar fartura ao mundo.”Jesus Cristo viveu e ensinou uma vida vegetariana, transmitindo isso aos seus discípulos. Aliás, é o apóstolo Paulo que na sua pregação aos Romanos diz: “Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, se escandalize ou se enfraqueça”... (14:21) e no Evangelho original (apócrifo) que tem o título “O Evangelho dos Doze Santos “, Jesus condena mesmo o morticínio de animais dizendo no capitulo 21 o seguinte:
“Vim para abolir as festas sangrentas e os sacrifícios, e se não cessais de sacrificar e comer carne e sangue dos animais, a ira de Deus não terminará de persegui-los, como também perseguiu a vossos antepassados no deserto, que se dedicaram a comer carne e que foram eliminados por epidemias e pestes.”S.Basílio, Patriarca dos Monges Orientais, Arcebispo de Cesaréia, escreveu em suas cartas que...
“O corpo que se alimenta de carnes é mais propício a ser vítima das enfermidades. Uma maneira de viver moderada torna o homem mais sadio e mais forte, e corta as raízes das enfermidades. Os vapores dos alimentos de carne obscurecem a luz do espírito”... e da razão digo eu.
Clemente de Alexandria dizia que
“os sacrifícios animais foram inventados pelos homem como um pretexto para comer carne”, e S. Bento diria mesmo que esse hábito carnívoro dos humanos resultou da sua degeneração e se teria desenvolvido mais após o Dilúvio universal em que grandes extensões de terra ficaram submersas e durante algum tempo os sobreviventes teriam de se alimentar do cadáver do animal. Mas tal não se justificava tão logo as coisas voltassem ao normal e os homens voltassem a trabalhar a terra e extrair dela o alimento vegetal. Infelizmente o homem continuou a alimentar-se de carne, cada vez mais, até ao século actual, sacrificando e chacinando diariamente milhões de seres vivos que são consumidos pela maioria da população mundial.
Foi S. Clemente quem mais influiu na sua época para que se cessasse o triste costume de sacrificar animais, mas tal prática não acabou e vamos assistindo à carnificina triste do abate de tantos seres da Criação que os humanos julgam que foram criados para a sua famigerada alimentação.
São Francisco de Assis, que era vegetariano, tinha grande piedade para com os animais e até os tratava por ‘irmãos’, sabendo também que Jesus dizia em relação à vida dos seres: “Quero piedade e não sacrifícios”...
Muitas pessoas afirmam hoje que Jesus nunca proibiu que se comesse carne e até mesmo disse: "o que contamina o homem não é o que entra pela boca mas o que dela sai..." Mas essas pessoas se esquecem ou desconhecem que Jesus falou isso apenas para defender seus discípulos que estavam com fome e comiam espigas ou o pão num sábado, violando as leis judaicas, ainda por cima sem terem lavado as mãos como era da tradição. Foi então que Jesus respondeu desse modo e não quis dizer de forma alguma que tudo se podia comer e beber sem sofrer as consequências. Isso seria insensato de sua parte. Aliás, todos sabemos hoje que milhões de seres humanos sofrem de inúmeras doenças por causa do “pecado da gula” e morrem ainda cedo pelos seus erros e excessos alimentares que fazem mais vítimas todos os anos do que as guerras dos últimos tempos. De resto, a O.M.S. aconselha cada vez mais uma alimentação onde predominam os cereais, vegetais e frutos, sendo a carne (principalmente a vermelha) cada vez mais desaconselhada.
Doutro modo, já os primeiros cristãos sabiam isso e eram vegetarianos, conforme é comprovado pelas obras de S. João Crisóstomo, havendo uma referência disso na carta de Plínio ao Imperador Trajano que dizia:
“Todos os cristãos primitivos se abstinham de comer carne”.(Ep. Liv.X, 96, Ed. Goshen)
Os vestígios deste facto ainda existem em nossos dias. Prova-o a Igreja Católica, ordenando a abstinência de carne em certos dias, como a sexta-feira da Paixão. Somente quatro séculos depois de Cristo, pela primeira vez, se permitiu comer carne aos sacerdotes cristãos.
No "Concílio de Ancyra", todos os cristãos que eram vegetarianos foram compelidos a comer carne. Os padres vegetarianos que se negaram foram destituídos de seus cargos. E hoje a Igreja segue outros princípios que não aqueles que seriam propícios à elevação moral e espiritual dos homens que degeneraram de sua condição e cometem atrocidades diárias contra a vida de milhões de seres de Criação que são despedaçados e devorados até às entranhas sob a forma de refeição. Mesmo os Papas têm sofrido as consequências disso pelos seus erros e 'pecados' de transgressão da sua errada forma de alimentação.
Por fim, é sabido que a substância astral inferior que impregna e exuda da carne do animal sacrificado, penetra na aura dos seres humanos, provocando maior densidade em sua transparência natural, impedindo os altos vôos do espírito.
Os iniciados de todos os tempos e de todas as eras faziam refeições simples. Os sacerdotes egípcios , que iniciaram Moises nos segredos do deus Amon, tinham de jejuar e alimentar-se exclusivamente de frutas antes dos ritos iniciáticos. Os Essênios, doutrina a qual pertencia Jesus, eram estritamente frugíveros. Na Índia não só os sacerdotes brâmanes, como a maioria do povo são vegetarianos.
Ainda hoje não é de admirar que os sacerdotes brâmanes sintam um certo desprezo pelos missionários cristãos, que falam de uma religião de amor universal mas violam as suas leis, desrespeitando os animais como nossos 'irmãos menores'. Aliás, Gandhi dizia mesmo que “
O grau de cultura e civilização de um povo, conhece-se pela forma como se alimenta e trata os seus próprios animais”... Gandhi era vegetariano como todos sabemos!
Na verdade foi mais durante o periodo da Idade Média que o vegetarianismo caiu no esquecimento, voltando agora a falar-se de novo nos finais do século XX, princípios do XXI, por ser a alimentação do futuro, nem que seja por força das circunstâncias. Porém, para que o vegetarianismo seja uma ajuda na evolução humana, devemos ter sempre na mente, a idéia de estarmos trabalhando numa senda que nos conduzirá a uma vida superior no plano espiritual. Caso contrário o vegetarianismo será apenas uma muleta para sustentar o nosso Eu egoísta.
Rui Palmela