“Se um homem sozinho é capaz de odiar tanto, quanto seremos capazes de amar enquanto estivermos juntos?”
O dia 22 de Julho de 2011 ficou marcado como o mais negro da história da Noruega pelo acto terrorista de um seu cidadão, Anders Brevik, que fez explodir em seu próprio país um veículo cheio de explosivos numa rua movimentada de Oslo e de seguida foi matar friamente dezenas de jovens numa ilha, fazendo tiro ao alvo como se de animais se tratassem nas suas caçadas de fim de semana, com contornos de autêntica maldade infundada ou injustificada pelos motivos que apontou ao não se sentir culpado, podendo mesmo ficar ‘ininputável’ se for considerado um 'psicopata' ou "doente mental" pela defesa em Tribunal, levando muita gente a duvidar do sistema norueguês que não serve de modelo para o resto do mundo.
A este respeito li recentemente um artigo intitulado “O Terrorismo do Mal e do Pecado: A Tragédia na Noruega” de Chuck Colson, traduzido e publicado por Júlio Serejo, onde se conta a forma como se tratam os bandidos naquele país que um certo leitor comentou depois do seguinte modo:
«Considero este um dos textos mais importantes que você já traduziu. O autor tocou num ponto fundamental, mas poderia ter avançado um pouco mais.
A descrição da prisão (tipo Laboratório?) é fantástica para pensarmos como a ciência desalojou a religião em alguns lugares.
E a história da psiquiatra que trata bandidos como se fossem apenas doentes mentais é altamente perturbadora. Há bandidos que são psicopatas. Psicopatas existem. Para mim as pessoas que não expressam emoções têm defeito de fabricação, devem ir para prisões-manicômios.
Elas agem perfeitamente e pensam muito bem, são inteligentes. Mas falta o que bloqueia a ação errada: a emoção (e aliada a esta, o freio moral decorrente).
Toda a religiosidade, a solidariedade, etc, nascem de nossas emoções funcionando bem (isso não elimina a ação de Deus, é claro).
Saber que agimos mal, que machucamos alguém, que algo é mentira, que tal coisa é crime e não deve ser praticado, depende de boas emoções e do senso moral correto.
E o senso moral só pode ser alimentado corretamente pelas religiões (embora muitos matem ainda em seu nome ou odeiem pelo fanatismo e fundamentalismo). A eliminação das religiões ou a adopção de uma religião estatal, como é o caso da Noruega, em que se valoriza o aspecto material da vida e a ausência do pecado, acaba levando a uma sociedade artificial.
Lamento pelas mortes dos jovens noruegueses, mas desde que vi algumas fotos nos jornais de lá pensei que havia algo de mecânico, de artificial na reação deles. Não sei se estou sendo claro. Não quero chocar ninguém.
A Noruega parece um laboratório nazista ou soviético de experimentos com os seres humanos. Ali parece que a vida normal se afastou. Os noruegueses são obrigados a serem felizes.
Acho que é uma sociedade materialmente bem sucedida, mas espiritualmente vazia. Talvez eu esteja sendo duro demais. Mas Colson tem razão, há algo errado com um país quando as pessoas não pensam mais em termos de pecado ou não. Essa certeza interna, essa dúvida interna, a laceração da alma, o remorso, a dor de uma perda, o reconhecimentos de que fizemos o mal é que nos redime. Veja que Anders Breivik disse ao juiz que não fez nada errado.
Claro, ele é um louco ou psicopata. Mas as pessoas relatam isso, o advogado, o juiz, como se fosse sempre assim.
Então, se julgarem que ele é culpado irá para a prisão, cumprirá a sua pena, e sairá, apó 20 ou 30 anos "curado" pelas psiquiatras carcereiras?
Não sou, pessoalmente, de ir à missa, sou católico de valor nominal como milhões de brasileiros, mas procuro explicar isso aos meus filhos. Realmente não gostaria de vê-los "noruegueses".»
Enfim, o mundo está atravessado uma das piores crises civilizacionais nos tempos actuais e o pior pode ainda vir a acontecer até à queda total da civilização com todos os seus males, erros e “pecados de transgressão”.
É o que penso...
Pausa para reflexão!
Rui Palmela